Vorcaro diz à PF que ‘forças internas do BC’ o queriam fora do Master e do mercado
O banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou à Polícia Federal que “forças internas do Banco Central e do mercado” queriam que “acontecesse o que aconteceu” – em uma referência à liquidação de sua instituição. Em depoimento à delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero – investigação sobre supostas fraudes de R$ 12,2 bilhões do Master -, Vorcaro respondeu a uma pergunta de seu advogado, Roberto Podval, sobre as razões pelas quais a venda do banco não foi consumada.
“Queriam que eu estivesse fora do mercado. Aliás, eu fui alertado lá atrás do que aconteceria, que eu seria retirado do mercado se eu não deixasse o banco. Eu me dispus a deixar. Eu me dispus a fazer todo o roteiro de sair, só que eu queria sair pela porta da frente, não gerando prejuízo para ninguém. E não foi isso que me deixaram fazer”, declarou Vorcaro.

O advogado do banqueiro fez as perguntas a ele depois dos questionamentos da delegada Janaína Palazzo.
“O sr. pode dizer qual foi a solução para o Banco Master quando foi comunicar ao Banco Central?”, indagou o advogado sobre a negociação de venda do Master.
“Era a venda das três instituições”, respondeu o banqueiro. “O Banco Master para um conjunto de investidores, que incluía a Fictor e investidores estrangeiros; a venda do Eubank para o fundo Mubadala; e a venda do banco de investimentos para uma holding brasileira, que tinha um investidor estrangeiro que eu também estava negociando, dos Emirados.”
Sobre a suposta tentativa de fuga, frustrada pela Polícia Federal na noite de 17 de novembro, quando Vorcaro foi localizado no Aeroporto de Guarulhos tentando embarcar para Dubai, ele foi categórico.
“De maneira nenhuma. Não é do meu perfil, não seria o momento nem a forma. Encaro meus problemas de frente. Peço a grandeza dos senhores, com toda a pressão da mídia, para olhar e tentar imaginar esse negócio sob outro prisma”, disse o banqueiro, que cumpre prisão domiciliar em São Paulo, monitorado com tornozeleira eletrônica.
‘Engendrando com o BRB’
O banqueiro relatou as negociações com o Banco de Brasília, o BRB, que tentou, segundo as investigações, comprar carteiras podres do Master. “A gente vinha planejando uma mudança de rota no final de 2024, em razão de diversas questões que estavam acontecendo, mercadológicas, de mudança de regulação que aconteceram, que pressionaram os canais do banco de distribuição”, explicou o banqueiro
Segundo ele, entre o final de 2024 e o início de 2025, o banco de Vorcaro estava em um “planejamento novo”.
“Já seria um negócio que a gente estava engendrando com o banco BRB. Então, nesse momento, na decisão de expandir a nossa originação e de trazer um portfólio maior do que a gente tinha e que a gente vinha trabalhando nos últimos meses, foi trazido esse negócio”, pontuou.
