2 de fevereiro de 2026
Politica

Master: Pergunta de Toffoli para diretor do BC provoca mal-estar; ‘Vaga e especulativa’

BRASÍLIA – O interrogatório do diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, teve momentos de mal-estar. Uma pergunta enviada por escrito pelo ministro Dias Toffoli e lida pela delegada do caso foi repelida pelos advogados da instituição federal.

O diretor de fiscalização foi ouvido na condição de testemunha. Logo no começo, a delegada Janaína Palazzo, que conduz o inquérito da Operação Compliance Zero, fez questão de esclarecer que o dirigente do BC estava ali para contribuir com as investigações e que a apuração administrativa auxilia na investigação criminal da PF no caso do Banco Master.

Depoimento de diretor de fiscalização do Banco Central no STF
Depoimento de diretor de fiscalização do Banco Central no STF

Estavam presentes na sala, além do depoente e da delegada, representante do Ministério Público Federal e o juiz auxiliar designado pelo ministro Dias Toffoli para acompanhar os interrogatórios, Carlos Vieira Von Adamek.

Como revelou o Estadão, Adamek e a delegada já tinham se desentendido antes de os depoimentos começarem no STF. As inquirições tinham sido determinadas pelo relator Dias Toffoli. O ministro também elaborou perguntas para serem feitas pela PF. Toffoli chegou a determinar uma acareação do diretor do BC com os investigados, o que acabou não acontecendo depois de o ministro deu à delegada autonomia para decidir se isso era necessário ou não.

Durante do depoimento de Ailton Aquino, a delegada leu a pergunta de Toffoli indagando se após a liquidação o BC que futuras medidas ainda seriam tomadas em relação ao Master. O advogado do Banco Central que acompanhava Aquino pediu a palavra: “Desculpe excelência. A pergunta parece um tanto quanto vaga e um tanto quanto especulativa. O colega inquirito fala sobre fatos”.

O advogado pediu para a delega esclarecer o que exatamente queria saber da fiscalização do BC. A delegada passou o papel onde estava anotada a pergunta para o juiz Amadek que estava sentado ao lado e até então não aparecia no vídeo da gravação. Adamek releu a pergunta e disse que não era nada genérico e insistiu no questionamento. O advogado retrucou dizendo que estava ali registrando a vagueza da pergunta.

No depoimento, Ailton de Aquino disse que as supostas fraudes em geração de créditos falsos pelo Master foram similiares a outros bancos que também foram liquidados pelo BC e enfrentaram problemas na Justiça, como o Cruzeiro do Sul e o Econômico.

 

 

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