Diretor do BC diz que perdas do BRB com operação do Master podem passar de R$ 5 bi
BRASÍLIA – O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou em seu depoimento à Polícia Federal prestado no dia 30 de dezembro que as perdas do Banco de Brasília (BRB) com a compra de ativos do Banco Master pode ultrapassar os R$ 5 bilhões.
A PF investiga se o banco público do Distrito Federal foi usado indevidamente para socorrer e injetar recursos na instituição do banqueiro Daniel Vorcaro.

Os vídeos do depoimento, prestado em 30 de dezembro, foram tornados públicos nesta quinta-feira, 29, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso na Corte.
O BRB pagou R$ 12,2 bilhões por falsas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master, fabricadas pela empresa Tirreno. Após o Banco Central ter detectado problemas nessas carteiras, houve uma substituição por outros ativos do Master. No ano passado, BRB informou que cerca de R$ 10 bilhões haviam sido recuperados.
A fiscalização do BC, porém, já detectou que esses outros papéis também tinham problemas e ainda devem gerar prejuízos ao BRB. O banco estatal também realiza análise interna sobre esses ativos e contratou uma auditoria independente.
O BC já enviou um ofício ao BRB determinando provisão de R$ 2,6 bilhões para reequilibrar o seu balanço. No depoimento, porém, Aquino afirmou aos investigadores que valor deverá ser maior em razão da baixa qualidade dos ativos repassados pelo Master para substituir a carteira fraudada.
“Neste ofício com o relato do Banco Central, a gente deixa claro que deve-se provisionar quase R$ 2,6 bilhões de Tirreno dentro do balanço do BRB, porque R$ 2 bilhões é originário da Tirreno e tem mais R$ 580 milhões que não foram recebidos da Tirreno. Então, aqui já tem quase R$ 2,7 bilhões de provisão”, afirmou Ailton. E a gente também, em virtude da qualidade dos ativos que o BRB conseguiu buscar no Master, está ponderando que tem que ser feita provisão de mais 2,2 bilhões”, afirmou Ailton.
Prosseguiu o diretor do BC: “A dimensão da provisão dentro do balanço do BRB será de elevada monta. A probabilidade é que seja de, a reunião com o BRB se dará no dia 7 de janeiro pra entregar ao BRB o tamanho do ajuste, a probabilidade é que seja mais de R$ 5 bilhões de ajuste”.
Como mostrou o Estadão, diante desse cenário, pressionado, o governo do Distrito Federal avalia fazer um aporte no BRB, montar um Fundo de Investimento Imobiliário com imóveis do governo distrital ou oferecer garantias para que o banco busque um empréstimo junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) para cobrir os prejuízos.
