2 de fevereiro de 2026
Politica

Diretor do BC diz à PF que BRB deveria ter identificado fraude em carteiras do Master; veja vídeo

BRASÍLIA – O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino Santos, afirmou, durante depoimento à Polícia Federal que a governança do Banco de Brasília (BRB) deveria ter sido capaz de identificar fraudes nas carteiras de crédito adquiridas do Banco Master.

Os vídeos do depoimento, prestado em 30 de dezembro, foram tornados públicos nesta quinta-feira, 29, pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli, relator do caso na Corte.

Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do Master para a diretoria colegiada do Banco Central
Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do Master para a diretoria colegiada do Banco Central

Aquino foi questionado pela delegada da PF Janaína Palazzo se, com procedimentos adequados de compliance, era possível que o BRB identificasse “a falsidade e a insubsistência” dos créditos do Banco Master adquiridos pelo banco estatal.

“Como auditor de carreira, aplicando técnicas, eu tenho certeza de que a governança do BRB deveria ter identificado. Não tenho dúvida disso. Aplicando-se técnicas, é possível a identificação da existência ou não dos créditos. Falha na governança do BRB”, afirmou.

Segundo as investigações, o Master teria adquirido créditos da empresas Tirreno e Cartos sem realizar nenhum pagamento e, depois, vendido esses ativos ao BRB por R$ 12,2 bilhões. A PF suspeita que as companhias tenham sido criadas apenas para criar esses contratos artificiais que foram revendidos ao BRB.

No depoimento, Aquino relatou que se reuniu com um representante das duas empresas, chamado “André”, e que ele citou vários números diferentes ao ser perguntado sobre qual o valor dos créditos gerados pelas companhias. Depois dessa reunião, segundo o diretor, o BC teve “certeza” da inexistência dos créditos.

Aquino é o diretor que recomendou o voto pela liquidação do Master para a diretoria colegiada do Banco Central. Na audiência do STF, ele prestou depoimento, mas foi liberado da acareação.

De acordo com o diretor, o BC questionou o BRB diversas vezes sobre a geração dos créditos. “O time da supervisão inquiriu muito o BRB em vários ofícios, acerca da geração dos créditos”, disse.

Na acareação, o dono do Master, Daniel Vorcaro, e o ex-presidente do BRB Paulo Henrique Costa apresentaram versões divergentes durante a a respeito da origem das carteiras “podres” vendidas ao banco estatal.

 

 

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