2 de fevereiro de 2026
Politica

Filiação de governador ao PSD aumenta pressão no União; governo vê Kassab com mais poder de barganha

BRASÍLIA – A troca de mais um governador do União Brasil pelo PSD, de Gilberto Kassab, aumenta a pressão de integrantes dissidentes da federação União-PP sobre Antônio Rueda e fortalece a impressão entre petistas de que Kassab busca poder de barganha para as eleições deste ano. Aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro avaliam que “é hora de ver quem é quem”.

O Estadão ouviu políticos da direita à esquerda para saber como repercutiu a ida dos governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, ambos ex-União, para o PSD.

Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, saíram do União Brasil para engrossar as fileiras do PSD, de Gilberto Kassab (foto)
Os governadores de Goiás, Ronaldo Caiado, e de Rondônia, Marcos Rocha, saíram do União Brasil para engrossar as fileiras do PSD, de Gilberto Kassab (foto)

Integrantes do União insatisfeitos com o partido, que falaram à reportagem sob condição de reserva, avaliaram que a ida dos governadores é um sinal de que Kassab “nada de braçada” diante de Rueda. Para eles, o presidente do União não tem a mesma experiência política do cacique paulista.

Esse braço do União diz ainda que Rueda não cumpre promessas e que, por isso, Kassab consegue ter espaço para seduzir quadros importantes do partido. Em contraste, eles apontam que o PSD é “maleável” e que o dirigente honra os compromissos.

O grupo estima que deverá haver mais dissidências com a abertura da janela partidária, em abril.

As queixas se alongam desde o ano passado e intensificaram após a formação da federação, com impasses nos diretórios estaduais, sem clareza se o PP ou o União assumiria o controle, e quem o grupo apoiaria em determinadas regiões.

Os dissidentes estimam que a atual bancada do União na Câmara, que hoje tem 59 deputados, poderia sofrer algo entre 10 a 15 baixas.

O Estadão mostrou no final de 2024 que o partido acumula divergências e é mencionado jocosamente nos corredores do Congresso como “Desunião Brasil”.

Por outro lado, apesar da saída de quadros importantes, correligionários fiéis defendem que o partido deverá ter bom resultado nas eleições de 2026. “O União Brasil tem uma previsão realista de aumentar sua bancada no Congresso Nacional, e isso me parece ser o foco da direção nacional. Além disso, alguns Estados como a Bahia, devem ter governadores eleitos pelo UB. O partido sairá maior das eleições”, afirma o deputado federal Alfredo Gaspar (União-AL).

Na Bahia ocorre um dos principais movimentos do partido. O secretário-geral do União, ACM Neto, disputará o governo da Bahia e é uma das principais apostas eleitorais da legenda nas eleições deste ano.

Além disso, com o racha na base do PT do Estado, aliados de Neto trabalham para convencer o senador Ângelo Coronel (BA), de saída do PSD, a disputar o Senado contra a chapa petista em outubro.

Governo diz que ‘poder de barganha’ de Kassab cresceu

Na base governista, deputados relataram à reportagem que é preciso “aguardar mais desdobramentos”, mas entendem que a movimentação de Kassab dá a ele poder de barganha para negociar apoio a aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 2026.

Caiado e Rocha são do campo da direita, foram aliados de Bolsonaro, mas agora darão apoio, ao menos no primeiro turno da corrida ao Planalto, ao candidato do PSD.

Ao postar um vídeo sobre a filiação, Kassab ressaltou que a chegada de Rocha ao PSD dá “dimensão ao partido em Rondônia e na região Norte”.

No momento, o PSD tem três pré-candidatos. O nome considerado mais forte é o do governador do Paraná, Ratinho Júnior. Mas o partido tem também Ronaldo Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite.

Marcos Rocha deixou claro que fará campanha pelo candidato do PSD. Ao anunciar a filiação afirmou que é “um partido sério, que vem contribuindo para o desenvolvimento do País. Com nomes importantes como Caiado, o governador Ratinho Júnior, Eduardo Leite e tantos outros que têm atuado para fortalecer o País”.

Isso não repercutiu especialmente bem entre bolsonaristas de Rondônia. “Essa movimentação é muito normal. Nesse período, chegou a hora que realmente vamos saber quem é quem. Eu sou totalmente direita conservadora bolsonarista, não mudo e não mudarei. Mas outros farão isso em nome de sua sobrevivência. É chegada a hora de definir quem é quem e o povo está muito mais atento quem verdadeiramente é o indivíduo político”, diz o deputado federal Coronel Chrisóstomo (PL-RO).

 

 

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