Lula quer comparar entregas do governo federal com as de Tarcísio e Zema ao mirar reeleição
BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou a reunião com líderes partidários e com o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na Granja do Torto, nesta quarta-feira, 4, para passar um recado com viés eleitoral: disse que quer comparar entregas do governo federal às de Estados comandados por opositores para mostrar que fez “muito mais” que os adversários.
Lula citou alguns de seus principais rivais, entre eles o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo – que, mesmo já tendo descartado disputar o Planalto, tem força para diminuir os votos no petista em sua busca pela reeleição.

A deputados, ministros e a Motta, Lula afirmou que pode comparar seu governo com o de qualquer um, entre eles os de Tarcísio, do mineiro Romeu Zema (Novo) e do goiano Ronaldo Caiado (PSD). Segundo o presidente, sua gestão venceria na comparação, considerando entregas de obras, escolas e investimentos no Estado do opositor.
Lula afirmou ainda aos presentes que essa será a eleição mais difícil que ele vai disputar. As declarações ocorrem em um contexto no qual o petista tem dificuldades para definir seus palanques em São Paulo e Minas Gerais, os dois maiores colégios eleitorais do País.
Em entrevista nesta quinta-feira, 5, ao UOL News, o presidente disse que tanto o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, quanto o vice-presidente Geraldo Alckmin sabem que “têm um papel a cumprir em São Paulo” – ambos resistem a disputar eleições.
Já em Minas Gerais, Estado considerado eleitoralmente estratégico, o PT enfrenta alguns entraves. O nome preferido do petista, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), sinalizou que não pretende concorrer ao governo. Nos últimos dias, porém, uma negociação para Pacheco deixar o PSD de Gilberto Kassab e e se filiar ao União Brasil deu esperanças a Lula, que voltará a conversar com ele nos próximos dias.
Se o presidente não convencer o senador, a alternativa disponível não é atraente para o PT: trata-se do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT), que tem muitos desafetos nas fileiras petistas.
No jantar, Lula fez vários acenos a Motta e afirmou que ele tem um aliado no Planalto, o que foi lido por alguns participantes como uma chancela à candidatura ao Senado de Nabor Wanderley, pai do presidente da Câmara.
