7 de fevereiro de 2026
Politica

Diferente do pai, Flávio Bolsonaro prioriza classe política e escanteia aproximação com militares

BRASÍLIA – O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, foca suas articulações na classe política e tem deixado para depois uma eventual aproximação com a esfera militar. Pessoas próximas ao senador ouvidas pelo Estadão/Broadcast afirmam desconhecer conversas do parlamentar com integrantes das Forças Armadas.

Isso representa uma diferença em relação ao seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que, desde a pré-campanha, propagandeava a intenção de rechear seu governo com “generais cinco estrelas”, ou seja, militares de alta patente.

Bolsonaro sempre se cercou de aliados militares, inclusive durante seu governo
Bolsonaro sempre se cercou de aliados militares, inclusive durante seu governo

Segundo aliados, Flávio prioriza as alianças políticas e o convencimento do mercado financeiro, com pitadas de política internacional. Isso se reflete em sua equipe e nas agendas. Não descartam, porém, a possibilidade de o parlamentar travar conversas com os militares no futuro nem de nomear alguns oficiais das Forças em um eventual governo.

Desde que anunciou sua intenção de concorrer à Presidência, em 5 de dezembro, Flávio se movimenta para atrair o apoio de partidos de centro como Republicanos, União Brasil, PSD e PP, para garantir palanques estaduais e recursos eleitorais, como tempo de televisão.

Para isso, o senador já se encontrou com figuras como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos); e os presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do União Brasil, Antônio Rueda. Os dois partidos, porém, ainda aguardam uma maior definição do cenário, enquanto o PSD, de Gilberto Kassab, articula um nome alternativo. De olho em alianças, Flávio escalou o senador Rogério Marinho (PL-RN) como coordenador político e este se retirou da disputa pelo governo do Rio Grande do Norte.

Flávio Bolsonaro também procura reverter a desconfiança do mercado financeiro em relação ao seu nome e encarregou o empresário Filipe Sabará de construir pontes com a Faria Lima e com a classe empresarial. O “entorno econômico” do senador ainda abarca nomes como Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano.

Outra empreitada do senador é a política internacional: Flávio viajou para Israel e o Bahrein, encontrou-se com o primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, e outros nomes da direita conservadora. Também prepara viagens ao México, Argentina e a outros países da América Latina.

Perfil político o diferencia do pai

Aliados citam os perfis diferentes de Flávio e Jair Bolsonaro. Enquanto Jair integrou o Exército até 1988 – quando passou para a reserva e se elegeu vereador do Rio de Janeiro –, Flávio nunca integrou as Forças Armadas e apostou na carreira política e empresarial.

Formado em Direito, o “01” assumiu seu primeiro mandato político, o de deputado estadual do Rio de Janeiro, aos 21 anos, em 2003. Nessa época, o pai já estava na vida política havia 15 anos.

Há 23 anos na política, Flávio conviveu com militares no governo do pai, marcado pela rixa entre o núcleo familiar e militar.

Santos Cruz: militares tiveram experiência negativa

O general da reserva Carlos Santos Cruz, ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro, afirma desconhecer contatos de Flávio com militares da ativa e diz que a participação de militares no governo Jair Bolsonaro foi negativa. Segundo ele, porém, uma eventual ida de militares para a equipe de Flávio configuraria uma decisão pessoal desses nomes, não institucional.

“Essas participações, assim como a minha, é muito pessoal. Não vejo como interesse de classe, institucional, nada disso. Até a experiência que ele (Exército) teve com o pai dele foi muito negativa. Então, se você é convidado, você aceita ou não, se quiser. É uma coisa pessoal, mas pelo que aconteceu, a experiência não foi boa”, disse ao Estadão/Broadcast.

Sem contato com integrantes da família Bolsonaro desde 2019, o general diz acreditar que a participação de militares na gestão Bolsonaro não representou uma mancha institucional para as Forças Armadas.

“A responsabilidade é individual, não institucional. No final do filme, o Exército disse ‘não’ a qualquer ideia de não seguir o processo regular. O problema é que o ex-presidente tentou arrastar de qualquer maneira as Forças Armadas para o jogo político. Ele não prejudicou só o pessoal militar, prejudicou muita gente, por falta de equilíbrio”, afirmou.

O general afirma ter vontade de voltar à vida política, não descarta uma candidatura em 2026 e defende a participação de militares na política, desde que não configure “politicagem”.

“Não tem problema nenhum. (A candidatura do) militar, ou de carreiras de Estado, ou qualquer outra profissão, não é politização. Isso é política. É normal. O problema é a politicagem tentar invadir as instituições”, disse.

 

 

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