7 de fevereiro de 2026
Politica

Lula diz que caso Master é importante por ter chegado aos magnatas da corrupção

BRASÍLIA – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a mencionar nesta sexta-feira, 6, o Banco Master para defender a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e a punição do que chamou de “magnatas do crime”.

“É por isso que essa história do Banco Master é importante. A Operação Carbono Oculto é importante, é porque nós chegamos nos magnatas da corrupção. E aí mexe com a gente. Uma coisa é prender os pobres na periferia e outra coisa é chegar nos magnatas, que muitas vezes nem moram no Brasil”, disse o presidente, durante entrevista ao programa “Alô, Juca”, da TV Aratu.

Nesta quinta-feira, 5, Lula já havia dito que falou ao presidente do Master, Daniel Vorcaro, que não haveria “posição política” a favor ou contra a empresa, mas, sim, uma “investigação técnica”, em encontro que o petista teve com o banqueiro, mediado pelo ex-ministro da Fazenda Guido Mantega, em dezembro de 2024.

Lula cita Master ao defender PEC da Segurança Pública e diz que vai criar novo ministério se Congresso aprovar a proposta
Lula cita Master ao defender PEC da Segurança Pública e diz que vai criar novo ministério se Congresso aprovar a proposta

O presidente disse ainda que criará um Ministério da Segurança Pública caso o Congresso aprove a PEC da Segurança. O projeto atualmente está em debate na Câmara. “Se o Congresso Nacional aprovar a PEC da Segurança Pública, nós criaremos um ministério em seguida, porque a PEC é para decidir qual é o papel da União na intervenção da Segurança Pública”, disse.

Lula reafirmou ser necessário definir de forma mais clara o papel do governo federal na área e que será necessário reforçar o caixa. “Na hora que estiver definido, vamos ter que ter um orçamento novo para a segurança pública, dobrar o número de delegados da Polícia Federal, ter muito mais Polícia Rodoviária Federal, ter muito mais Guarda Nacional, Polícia Nacional que faça intervenção quando necessário.”

O presidente disse também que os governos estaduais contrários à PEC não querem a ação do governo federal e citou Estados do Sudeste, do Centro-Oeste e do Sul. Segundo ele, todos os governadores do Nordeste se mostraram favoráveis à proposta.

“Quem não concordou são os Estados que não querem que o governo federal tenha qualquer intervenção. Goiás, São Paulo, Minas Gerais. Alguns Estados do Sul não quiseram. Mas a PEC é para dizer o seguinte: o governo federal está disposto a participar ativamente em parceria com o governo dos Estados na questão da segurança pública”, afirmou.

O presidente disse ainda que o governo federal não pode ser “apenas um repassador de pequenos recursos”. “Se o governo federal entrar na questão da segurança pública, nós temos que ter um orçamento especial com muito dinheiro para que a intervenção seja teórica e prática ao mesmo tempo.”

Lula diz que o STF seria desmoralizado se libertassem Bolsonaro

Lula afirmou ainda que a derrubada do veto ao projeto da dosimetria seria uma desmoralização do Supremo Tribunal Federal (STF), que julgou e condenou pessoas pelos atos golpistas de 8 de Janeiro de 2023. Sem citar nominalmente o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), um dos beneficiados do projeto, Lula disse que uma anistia deveria ser feita após anos.

“Esse cidadão tem que ficar preso. Aí um belo dia, pode ter uma anistia para ele, como teve em 1964, dez ou 15 anos depois. Não dá para você brincar de fazer julgamento. Se você liberta ele, você desmoraliza a seriedade da Suprema Corte que o condenou”, disse na entrevista.

O presidente afirmou também ter feito sua parte e que uma eventual derrubada do veto seria “problema do Congresso”. “É problema do Congresso Nacional. Eu fiz a minha parte. O Congresso fez a lei, aprovou. Eu sei as condições que foi discutido. Eu fiz o meu papel, vetei porque não concordo. Esse cidadão tem que ficar preso”, disse.

O petista comparou o ex-presidente a um “cachorro louco”: “Você acha que se você tiver um cachorro louco preso e você o solta, ele vai estar mais manso? Esse cidadão tentou destruir a democracia brasileira. Esse cidadão, que foi condenado a 27 anos e três meses de cadeia, tinha um plano para matar o Lula, o Alckmin e o Alexandre Moraes”.

Lula diz que Senado precisa ser mais representativo

O presidente Lula também disse que o Senado precisa ter pessoas sérias e que não “pensem no próprio umbigo”. “É importante que o Senado seja mais representativo e sério. É por isso que temos de ter pessoas da qualidade do Otto (Alencar), da qualidade do Rui (Costa), da qualidade do (Jaques) Wagner, da qualidade de pessoas que pensam o Brasil e não pensam o próprio umbigo.”

A declaração ocorre em um momento em que o presidente tenta uma reaproximação com os parlamentares e tenta aprovar no Senado o advogado-geral da União, Jorge Messias, para STF. Ao mesmo tempo, o PT trabalha para evitar que a direita faça maioria na Casa nas eleições de outubro.

O presidente disse que o Congresso é a “cara da sociedade” e que a direita têm usado as discussões sobre impeachment de ministros do Supremo para captar apoio nas eleições para o Senado. Segundo ele, é necessário fazer o debate “sem o espírito de vingança”.

“Acho que tudo pode mudar neste País. Se vamos discutir a Suprema Corte direitinho, vamos discutir mandato, o tempo que alguém pode ser eleito. Tudo pode ser discutido. Agora, é preciso que a gente discuta sem o espírito de vingança, que está hoje”, afirmou.

 

 

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