7 de fevereiro de 2026
Politica

BRB aumentou patrocínios em 14 vezes sob Ibaneis Rocha; banco tem rombo bilionário do caso Master

Investigado pela Polícia Federal no caso Master e com rombo superior a R$ 5 bilhões com compras de ativos da empresa liquidada, segundo o diretor de Fiscalização do Banco Central, o Banco de Brasília (BRB) também é alvo de questionamentos sobre sua política de patrocínios. A instituição estatal aumentou em 14 vezes o gasto com eventos e outros apoios comerciais durante a gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em 2025, reservou R$ 125,8 milhões de gastos para esta rubrica.

O valor contrasta com o de uma década atrás, quando o BRB gastava anualmente apenas R$ 1 milhão com patrocínios. A guinada de crescimento aconteceu nos últimos anos, na gestão Ibaneis Rocha, a partir de 2019. Naquele primeiro ano de seu governo, a despesa total foi de R$ 7,2 milhões. E a escalada só acelerou (veja gráfico abaixo). As informações foram levantadas pela Coluna do Estadão em dados oficiais do BRB. Procurado, o banco não respondeu.

De janeiro a setembro de 2025, o BRB já havia desembolsado R$ 82,3 milhões do total previsto para o ano em diversos eventos. No terceiro trimestre, por exemplo, período mais recente detalhado pela estatal, o BRB bancou de congresso de procuradores a show do cantor Roberto Carlos em João Pessoa.

Banco estatal do DF patrocina Flamengo, time do governador

Em 2020, segundo ano do governo Ibaneis, o banco estatal do Distrito Federal passou a patrocinar o Flamengo, time de futebol do Rio de Janeiro, por R$ 32 milhões anuais. O caso foi investigado pelo Tribunal de Contas do Distrito Federal a pedido do Ministério Público de Contas, que questionou a regularidade do negócio.

Ibaneis é flamenguista declarado e, um ano antes de o BRB fechar o patrocínio com o clube, chefiou a delegação rubro-negra em um jogo no Equador, pela Copa Libertadores.

O BRB impôs sigilo aos documentos que deram base ao contrato e alegou que o objetivo dos patrocínios era “nacionalização e fortalecimento da marca, geração de negócios, divulgação de produtos e ampliação de relacionamentos”. O contrato segue ativo e o banco tenta renová-lo.

Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em evento do Banco de Brasília (BRB)
Governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, em evento do Banco de Brasília (BRB)

Patrocínios incluem eventos de procuradores e show de Roberto Carlos na Paraíba

Em setembro passado, o BRB liberou R$ 300 mil para o 51º Congresso Nacional dos Procuradores dos Estados e Distrito Federal, por meio da Associação Nacional Dos Procuradores. O patrocínio foi registrado como “relacionamento institucional”, mesmo caso da Conferência Nacional de Segurança Pública ILAB, que em julho passado auferiu R$ 500 mil do banco.

Um mês antes, em agosto de 2025, o aporte do Banco de Brasília foi de R$ 1 milhão para um show de Roberto Carlos no aniversário de João Pessoa, intitulado “Eu Ofereço Flores”.

Houve ainda despesas com eventos esportivos. Apenas no terceiro trimestre de 2025, cerca de R$ 3,8 milhões foram gastos com a corrida Stock Car, incluindo patrocínios aos pilotos Lucas Foresti e Enzo Elias.

Rombo do BRB pode passar R$ 5 bilhões, diz diretor do BC

O diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, afirmou à PF que as perdas do BRB com a compra de ativos do Master podem ultrapassar os R$ 5 bilhões.

Segundo as investigações, o BRB pagou R$ 12,2 bilhões por falsas carteiras de crédito consignado vendidas pelo Master, fabricadas pela empresa Tirreno.

Após o BC ter detectado problemas nessas carteiras, houve uma substituição por outros ativos do Master. No ano passado, BRB informou que cerca de R$ 10 bilhões haviam sido recuperados.

Além de rombo no BRB, governo do DF enfrenta falta de dinheiro em caixa

Em 2025, o governo do Distrito Federal registrou um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas, como informou o Estadão. O resultado mostra que o Executivo gastou mais do que arrecadou e piorou as contas em relação a 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões.

Em 2026, último ano do mandato do governador Ibaneis Rocha, o orçamento está sob pressão devido a despesas que não foram quitadas no ano passado e que disputarão espaço com os gastos deste ano.

A gestão distrital herdou R$ 1,7 bilhão em recursos empenhados em anos anteriores que não foram liquidados — ou seja, que não tiveram o serviço executado — e que precisarão ser cumpridos ou cancelados.

 

 

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