Trump e as teorias de Chacrinha e de Maquiavel
Uma justiça precisa ser feita ao presidente Trump. Por mais que se discorde dos métodos que usa, regra geral se sai muito bem na condução de conflitos. Ele na prática aplica o bordão do Chacrinha (Abelardo Barbosa): “Eu não vim para explicar, vim para confundir”.
A visita recente à Casa Branca do presidente da Colômbia, Gustavo Petro é um exemplo típico. Dias após prender Maduro, presidente deposto da Venezuela, Trump sugeriu a possibilidade de realizar uma operação militar na Colômbia e fez seríssimas acusações ao chefe de governo colombiano, dizendo que o país estava muito doente e era “governado por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos Estados Unidos, e não vai continuar”. Trump aplicou sanções contra Petro em outubro de 2025, por suposto envolvimento com tráfico de drogas
Trump abraça quem iria prender
Terça última, 3, após a visita de Gustavo Petro à Casa Branca, tudo mudou, de repente. O presidente americano presenteou Gustavo Petro com um volume de seu livro “A Arte da Negociação“ e escreveu “Você é ótimo”, na folha de rosto. Completou: “eu amo a Colômbia” e anunciaram, juntos, a necessidade de “respeito mútuo” e de um pacto de vida para todo o continente. Não há como negar, que foi uma vitória nas relações diplomáticas do continente.
Estratégia de Trump
O estilo de Trump é descrito como a tentativa de confundir adversários e ampliar incertezas, deixando a oposição desorganizada e sem saber como responder. Desde a campanha faz declarações falsas ou enganosas, o que é visto como uma parte distintiva da sua identidade política. Aplica a “Teoria do Louco” (Madman Theory), que faz com que os adversários não saibam se ele irá seguir em frente com as suas ameaças, mantendo-os “fora de equilíbrio”.
Questionado se planejava juntar-se a Israel em um ataque ao Irã, Trump disse: “Talvez eu faça isso. Talvez eu não faça. Ninguém sabe o que vou fazer”. Ele fez o mundo acreditar que havia concordado com uma pausa de duas semanas para permitir que o Irã retomasse as negociações. Mesmo assim, bombardeou.
A cada dia acentua-se que o aspecto mais previsível de Trump é sua imprevisibilidade. Ele muda de ideia. Ele se contradiz. Ele é inconsistente. Tem sido interpretado como uma aplicação moderna do maquiavelismo — uma “figura maquiavélica parcial”, astuta por instinto. Lula que se cuide na visita a Washington, que fará em março. Gustavo Petro saiu na frente…
