Meu reencontro com Lisboa
Escrevo estas linhas de uma Lisboa fria e chuvosa, em pleno inverno europeu. Minha última visita à capital lusitana foi em 2014 — portanto, lá se vão 12 anos. Lembro que, naquela época, os prédios estavam degradados: fachadas feias, pichações e aqueles horríveis aparelhos de ar-condicionado pendurados nas paredes e janelas. Confesso que saí daqui desapontado.
Lisboa é nada menos do que a segunda capital mais antiga da Europa — a primeira é Atenas — tendo sido fundada pelos fenícios por volta de 1200 a.C. A cidade das sete colinas transborda história por todos os seus becos, vielas e travessas.
Ao voltar agora, doze anos depois, qual não foi a minha surpresa ao deparar-me com um cenário completamente diferente? Especialmente no centro antigo — Baixa, Chiado e Bairro Alto —, os locais mais conhecidos e mais visitados pelos turistas. A transformação se deu por uma série de fatores econômicos e políticos, em especial pela alteração da legislação que mantinha os aluguéis dos prédios históricos congelados. A mudança, que beneficiou os proprietários desses imóveis, veio acompanhada de obrigações rigorosas de recuperação e preservação.
O resultado se percebe a olhos vistos. As fachadas estão recuperadas e iluminadas; dá gosto de ver. Procurei aparelhos de ar-condicionado pendurados nas janelas e não encontrei nenhum. Uma beleza! É outra cidade: limpa, rejuvenescida e encantadora. O perigo é ficar com torcicolo, pois anda-se o tempo todo olhando para cima, apreciando a bela arquitetura lisboeta.
Dentre as inúmeras opções que a cidade oferece, as minhas preferidas são subir a pé a Alfama até o Castelo de São Jorge e perder-me em seus labirintos de ruelas e escadarias para, de quando em quando, apreciar a vista do rio Tejo a partir de um dos vários miradouros. Ou então percorrer as ladeiras do Chiado, apreciar os desenhos e as cores dos azulejos das fachadas, comer um pastel de nata em uma das inúmeras confeitarias e observar o comércio pitoresco — entre eles, lojas de cerâmicas, perfumes e a famosa livraria Bertrand, comprovadamente a mais antiga do mundo, em funcionamento desde 1732.
Saio muito bem impressionado deste meu reencontro com Lisboa. A cidade, mesmo sob o frio e chuva do inverno europeu, pulsa e fervilha, fazendo jus à sua posição entre os dez principais destinos turísticos da Europa. Ah, e isso tudo ainda sem falar da deleitosa gastronomia de Lisboa. Aguarde o próximo texto…
