9 de fevereiro de 2026
Politica

Se Lula for ‘paz e amor’ não vencerá a eleição

Em quase todas as guerras, nas invasões dos exércitos, o país algoz costuma alegar que estava apenas a se defender de um inimigo prestes a agredi-lo. O caso mais recente é o da Rússia contra a Ucrânia. Podemos também falar da invasão do Iraque pelos Estados Unidos, apenas para nos atermos a exemplos deste milênio. Na política é a mesma coisa, a hostilidade é justificada como arma de defesa.

No aniversário de 46 anos do Partido dos Trabalhadores ocorrido no último sábado, em Salvador, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu a ordem de ataque político aos oponentes com as seguintes palavras: “Alguém fez uma notícia contra o governo, ‘ah, eu deletei’. Deletou não. Você tem que mandar o cara que fez aquela notícia para aquele lugar”.

É o fim do “Lulinha paz e amor”, conforme as palavras do próprio, como se tal personagem cordeiro de fato tivesse existido, fora ser um personagem útil em alguns momentos de sua longa trajetória. Ninguém “paz e amor” seria eleito três vezes presidente da República em um país como o Brasil e ainda ser o favorito para o próximo pleito.

Lula (PT) em evento de aniversário do PT em Salvador
Lula (PT) em evento de aniversário do PT em Salvador

No mesmo discurso, Lula condenou as redes sociais. “Não sei por que se chama social essa porra (sic). É uma rede que tem mais do mal do que do bem, que tem mais mentira do que verdade”, disse, no palanque, antes de chamar a atenção das pessoas na plateia que estavam de olho no celular. Ironizou sua tropa, lembrando-os de que o único ali que poderia receber ligações importantes, de gente como Donald Trump, Vladimir Putin ou Xi Jinping, seria o próprio. Podemos apenas especular: se as redes fossem dominadas pelo discurso da esquerda, haveria toda essa aversão?

O objetivo declarado de Lula seria repor a verdade contra a fábrica de mentiras do adversário em local onde a direita vence a esquerda, as famigeradas redes. “Nós temos que ser mais desaforados. Porque eles são desaforados e nós não podemos ficar quietinhos. Não tem essa mais de ‘Lulinha paz e amor’. Essa eleição vai ser uma guerra e nós temos de estar preparados para ela. É muita mentira 24 horas por dia”, declarou o presidente da República.

O que seria “mentira” na mitologia petista? Se você percebe no contexto do discurso, mentira significaria o seguinte: falar mal do governo. Verdade, por contraposição, seria elogiar e louvar as ações de Lula e do governo. Com essa lógica, tudo indica que teremos uma campanha eleitoral bastante violenta do ponto de vista retórico, porque o lado bolsonarista, como sabemos, vive num mundo invertido ao petismo com relação às noções de verdade e mentira. A guerra está só no começo e o agressor será sempre o outro.

 

 

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