10 de fevereiro de 2026
Politica

Placar do Estadão: Veja quem são os parlamentares contrários à CPI do Master

BRASÍLIA – O Placar do Estadão mostrou que a maioria dos integrantes da Câmara e do Senado é a favor da criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a crise do Banco Master. Apenas dois congressistas se manifestaram contrários à proposta: o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o deputado federal Prof. Reginaldo Veras (PV-DF). Dois governistas, eles afirmam ser descrentes da eficácia de investigações pelo Legislativo.

No Distrito Federal, Veras faz parte da oposição ao governador Ibaneis Rocha (MDB) e manifestou em diferentes oportunidades contrariedade à compra da instituição financeira pelo Banco de Brasília (BRB). Já Weverton manteve o silêncio sobre o caso Master, enquanto lida com problemas de outra CPI no Congresso.

Weverton e Reginaldo Veras dizem descrer da eficácia investigativa de uma CPI; senador tem problemas com CPI do INSS, enquanto deputado pressiona Ibaneis e Banco Master em outras frentes, como no STJ
Weverton e Reginaldo Veras dizem descrer da eficácia investigativa de uma CPI; senador tem problemas com CPI do INSS, enquanto deputado pressiona Ibaneis e Banco Master em outras frentes, como no STJ

Na mira da CPI do INSS, Weverton é pressionado por parlamentares a explicar envolvimento na fraude de descontos associativos ilegais de aposentados. Segundo a Polícia Federal, ele é “sócio oculto” do esquema e recebeu, por meio de intermediários, recursos amealhados pela organização criminosa.

A PF aponta que Weverton é o operador político do esquema e usava seu ex-assessor Gustavo Gaspar e o agora ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência Social Adroaldo Portal para receber em seu nome valores oriundos de ilícitos.

Ele já foi alvo de operação de busca e apreensão da PF. A polícia chegou a pedir sua prisão preventiva, mas o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, relator do processo, negou. O magistrado alegou que prender um parlamentar é uma decisão que tem “efeitos drásticos” e “exige cautela”.

Weverton é líder do PDT no Senado e vice-líder do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso.

O relator da CPI do INSS, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), já pediu, desde o ano passado, a convocação do senador para que ele possa prestar esclarecimentos à comissão. Até o momento, esse pedido não avançou por blindagem do governo.

O Estadão ainda revelou, em janeiro, que a PF identificou diálogos sobre a entrega de dinheiro vivo a um ex-assessor do senador no telefone do empresário Antônio Camilo Antunes, o Careca do INSS. O Careca é suspeito de liderar o esquema de desvios de recursos em aposentadorias.

O senador nega as acusações, classificando as acusações da PF como “descabidas”.

Sobre a comissão para investigar o Master, Weverton disse ao Estadão ser contra “qualquer tipo de CPI”. “Sou contra qualquer tipo de CPI, principalmente em ano eleitoral e quando o assunto já está sendo investigado pelas autoridades policiais ou do Ministério Público”, afirmou o senador.

Oposicionistas da CPI do INSS criticam a posição. “O senador não assina nenhum tipo de CPI porque a última que foi instalada acabou investigando ele e descobrindo que ele foi o elo político de um dos maiores escândalos de corrupção do País”, afirmou Kim Kataguiri (União-SP). “Ele é contra principalmente em ano eleitoral, porque quanto mais investigações avançarem contra ele, e ele estiver devendo, pior para a reeleição dele.”

O Prof. Reginaldo Veras, por sua vez, disse não acreditar no modelo de CPI. Diferentemente de Weverton, ele é um crítico da operação de compra do Master pelo BRB – a transação foi barrada pelo Banco Central.

“Eu não assino nem participo de CPIs, pois viraram um instrumento que pouco investiga e muito serve para gerar pirotecnia e cortezinho para rede social. Historicamente, nenhuma CPI entregou algo realmente concreto, nem no Distrito Federal nem no Congresso Nacional. Não é à toa que o ditado ‘vai dar em pizza’ se popularizou”, afirmou Veras.

Para ele, a Polícia Federal e o Banco Central já fazem investigação “séria, independente e avançada” no caso. “De forma bem objetiva: quem tem capacidade real de investigar? A PF e o Banco Central ou deputados fazendo cena? Sou coerente e não participo daquilo que não acredito”, acrescentou.

O deputado já foi ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) pedir o afastamento de Ibaneis. “Não é disputa política. É responsabilidade diante de suspeitas graves envolvendo o governador. Ibaneis nega. Mas o dono do Banco Master afirma que tratou do negócio com ele. Quando a verdade vira contradição, o cargo não pode virar escudo. O povo do DF merece respostas”, disse o parlamentar.

Apesar disso, os dois assinaram, nesta legislatura, requerimentos pedindo criação de CPIs. Weverton apoiou quatro: em 2025, as do crime organizado e da adultização; e, em 2024, as da manipulação de resultados e das bets. Veras assinou três: a dos crimes cometidos contra menores na internet, em 2025, dos planos de saúde, em 2024, e da exploração sexual infantil, em 2023.

O Placar do Estadão mostrou ainda que, na Câmara, dos 513 deputados, 304 se dizem a favor da instalação de uma CPI para apurar crimes e fraudes cometidos por operadores do Banco Master. Outros quatro não quiseram se manifestar e 204 não responderam.

Entre os 81 senadores, 56 defendem a criação da CPI. Dois não quiseram se posicionar. Outros 22 não responderam.

 

 

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