11 de fevereiro de 2026
Politica

Candidatura de Ibaneis sobe no telhado com escândalo do Master

Cada vez mais enfraquecido diante das investigações do caso do Banco Master, o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), tem dificuldade de viabilizar a candidatura ao Senado nas eleições de outubro, mas o MDB afirma não ter plano B para a disputa. Já o PL, que tinha fechado acordo com o governador, agora começa a se afastar e tem uma ala que defende abandonar os planos de Ibaneis ao Senado.

Há, ainda, um questionamento nos bastidores sobre se o governador do DF estaria disposto a desistir da disputa e, com isso, perder o foro privilegiado em meio ao avanço das investigações do Master. Procurado por meio da assessoria, o governador não respondeu se cogitaria abrir mão da candidatura ao Senado.

Presidente do MDB do DF diz que não há plano B

Presidente da Câmara Legislativa do DF e do MDB local, o deputado Wellington Luiz admitiu à Coluna do Estadão que a situação de Ibaneis é “preocupante” e que seria “hipocrisia” minimizar o caso, mas reforçou acreditar na viabilidade da candidatura do governador ao Senado:

“Ainda não pensamos em plano B, e espero não precisar pensar”, afirmou, dizendo que Ibaneis está “acostumado” a crises: “É hipocrisia falar que não há preocupação, mas o governador está acostumado com temperaturas altíssimas”.

Governador do DF sumiu de compromissos políticos

Desde que foi citado no escândalo pelo dono do Master, Daniel Vorcaro, Ibaneis submergiu: cancelou pela segunda vez, nesta segunda-feira, 9, um jantar que teria com integrantes da base aliada, faltou à abertura do ano no Judiciário, no Supremo Tribunal Federal (STF), e não compareceu à Câmara Legislativa do DF na abertura do ano legislativo.

Ele tampouco mandou um representante, o que é incomum. No ano passado, por exemplo, o texto foi lido pela vice-governadora Celina Leão (PP). Procurada, a assessoria do governador não respondeu.

Ainda assim, como mostrou a Coluna, Ibaneis ignorou o escândalo e elogiou o Banco de Brasília (BRB) na mensagem enviada à Câmara Legislativa local na abertura do ano Legislativo na última terça-feira, 3. Três dias antes, a Polícia Federal abriu um inquérito contra o banco estatal por suposta gestão temerária na tentativa de comprar o Master. O rombo com a operação pode chegar a R$ 5 bilhões, segundo o Banco Central (BC).

Questionado pela Coluna na semana passada, quando não compareceu à abertura do ano judiciário, Ibaneis negou que a ausência tenha ocorrido por haver algum constrangimento para ir ao STF naquele momento:

“(Desconforto) Nenhum. Tenho grandes amigos e sempre fui um homem do direito. Respeito profundamente o Judiciário e em breve estarei de volta à advocacia”, disse.

PL já cogita abandonar apoio ao governador

Além do acerto que tinha feito com Valdemar Costa Neto, presidente do PL, também contava em favor de Ibaneis, segundo aliados, o fato de ele dizer que bancaria do próprio bolso a campanha ao Senado. Mas a avaliação dos últimos dias é de que a situação do emedebista ficou inviável, e a orientação é manter distância do governador do DF.

O deputado distrital Wellington Luiz (MDB), aliado de Ibaneis, admitiu ser preocupante o distanciamento do PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas afirmou que o governador segue no páreo:

“Claro que a discussão do PL preocupa, e isso precisa ser trabalhado, mas nós do MDB não vamos abrir mão da nossa candidatura majoritária”.

Fragilizado após envolvimento em escândalo do Master, governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, não deve concorrer ao Senado
Fragilizado após envolvimento em escândalo do Master, governador Ibaneis Rocha (MDB), do Distrito Federal, não deve concorrer ao Senado

Dono do Master disse à PF que já recebeu governador em sua casa

Em depoimento à PF, o banqueiro Daniel Vorcaro disse que conversou “algumas vezes” com o governador do Distrito Federal sobre a venda do Master ao BRB e citou também que o governador já esteve pessoalmente em sua casa. Ibaneis foi o primeiro político citado por Vorcaro nas investigações que tramitam no Supremo.

 

 

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