Ministros do STJ ficaram irritados com silêncio de Buzzi após denúncia; veja bastidores
Ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) mostraram irritação com a demora em serem informados sobre a acusação de supostos crimes sexuais cometidos pelo colega Marco Buzzi. Buzzi permaneceu em silêncio até a denúncia vir à tona na última semana, segundo magistrados.
Os integrantes do STJ, incluindo a cúpula da Corte, só souberam do caso pela imprensa nos últimos dias, cerca de um mês após o episódio de 9 de janeiro, segundo a denúncia levada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao tribunal. De acordo com o relato formalizado à Corte, o ministro teria tentado agarrar à força a jovem de 18 anos, filha de um casal de amigos que passava férias em imóvel de Buzzi em Balneário Camboriú (SC). Ele nega.
De acordo com interlocutores do tribunal, Buzzi poderia ter avisado aos colegas sobre a acusação, inclusive para o STJ se precaver de uma crise institucional. Outra vantagem sobre a informação ser levada previamente aos pares seria a possibilidade de o próprio Buzzi adotar medidas preventivas, como pedir licença ou afastamento da Corte antes de o caso vir a público.

Nessa quarta-feira, 10, em sessão secreta, o plenário decidiu por unanimidade afastar Buzzi do cargo temporariamente. No próximo dia 10, o pleno voltará a se reunir, também a portas fechadas, para decidir se Buzzi será aposentado compulsoriamente.
A sindicância aberta no STJ é um processo administrativo que pode resultar na aposentadoria compulsória do ministro. Ele responde a um outro procedimento do mesmo tipo no CNJ.
Em paralelo, o boletim de ocorrência registrado na Polícia Civil de São Paulo pela família da vítima foi encaminhado na semana passada para o Supremo Tribunal Federal (STF), por ser o foro indicado para processar e julgar ministros de cortes superiores. Se for condenado, o magistrado pode ser preso.
Colegas avaliam que Buzzi perdeu condições de seguir no posto
Segundo pessoas envolvidas no caso, a avaliação predominante é que Buzzi não tem mais condições de seguir no cargo, e que internamente o resultado já está dado. A melhor opção agora, segundo esses interlocutores, seria o magistrado antecipar a aposentadoria, para evitar que essa decisão fosse tomada por ele pelos colegas.
Um exemplo citado na Corte de aposentadoria antecipada é do ministro Nefi Cordeiro, que deixou o STJ em 2021 por motivos pessoais aos 57 anos, 18 anos antes da aposentadoria obrigatória. Buzzi tem 68 anos e ainda pode trabalhar por sete anos no tribunal.
Defesa de ministro nega irregularidades
Os advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, que conduzem a defesa de Buzzi, dizem que ele “não cometeu qualquer ato impróprio”. A defesa afirma que “vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados são um truque sórdido”, e que “tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por ‘juízes’ e opiniões inflamadas”.
