12 de fevereiro de 2026
Politica

Grupo de WhatsApp e reunião de emergência: As estratégias do STJ para lidar com o caso Buzzi

Os ministros do Superior Tribunal de Justiça (STJ) têm recorrido a conversas no WhatsApp para lidar com as acusações de crimes sexuais contra o colega Marco Buzzi, que na última terça-feira, 10, foi afastado temporariamente de seu cargo por unanimidade. Buzzi segue em um grupo com todos os ministros da Corte, mas, para não ampliar o constrangimento direto, desde que as denúncias vieram a público o tema passou a ser tratado em outras conversas no aplicativo.

O presidente do STJ, Herman Benjamin, tem o costume de compartilhar mensagens com os colegas sobre decisões de sua gestão. Isso inclui demandas de imprensa relacionadas ao tribunal. Nos últimos dias, esse espaço deixou de ser o grupo principal da Corte no WhatsApp porque Buzzi passou a ser citado nos questionamentos.

A Corte tem tomado alguns cuidados para lidar com o caso. Um deles é a conversa direta entre os integrantes para agir em sintonia e evitar desgaste maior para o STJ.

Na última segunda-feira, 9, quando veio à tona uma segunda denúncia de crimes sexuais supostamente cometidos por Buzzi contra uma funcionária terceirizada que atuava em seu gabinete, eles de imediato combinaram a convocação de uma sessão de emergência logo no dia seguinte de manhã, horário raro para uma sessão.

Ao fim do encontro, outra precaução: o STJ divulgou o resultado da reunião secreta quando os ministros ainda estavam no plenário, para evitar vazamentos.

O comunicado foi publicado apenas com o título “Nota”. Ministros manifestaram que o conteúdo não estava com o destaque necessário. Na sequência, o título passou para “Pleno afasta cautelarmente ministro Marco Buzzi” e recebeu destaque no site do STJ.

Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais
Ministro Marco Buzzi, do STJ, alvo de apurações no tribunal por supostos crimes sexuais

Como mostrou a Coluna do Estadão, ministros do STJ mostraram irritação com a demora em serem informados sobre a acusação contra Buzzi. O magistrado permaneceu em silêncio até a denúncia vir à tona na última semana, cerca de um mês após o episódio que consta da denúncia levada ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao tribunal.

Defesa de Buzzi nega ‘ato impróprio’

Os advogados João Costa, João Pedro Mello e Maria Fernanda Saad, que conduzem a defesa de Buzzi, dizem que ele “não cometeu qualquer ato impróprio”. A defesa afirma que “vazamentos instantâneos de informações sigilosas sobre fatos não verificados são um truque sórdido”, e que “tribunais, com magistrados experientes e ritos depurados ao longo de séculos, não podem ser substituídos por ‘juízes’ e opiniões inflamadas”.

Colegas avaliam que Buzzi perdeu condições de seguir no posto

Segundo pessoas envolvidas no caso, a avaliação predominante é que Buzzi não tem mais condições de seguir no cargo, e que internamente o resultado já está dado. A melhor opção agora, segundo esses interlocutores, seria o magistrado antecipar a aposentadoria, para evitar que essa decisão fosse tomada por ele pelos colegas.

Um exemplo citado na Corte de aposentadoria antecipada é do ministro Nefi Cordeiro, que deixou o STJ em 2021 por motivos pessoais aos 57 anos, 18 anos antes da aposentadoria obrigatória. Buzzi tem 68 anos e ainda pode trabalhar por sete anos no tribunal.

 

 

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