14 de fevereiro de 2026
Politica

A questão nem é como vendeu, mas como Dias Toffoli conseguiu comprar um resort de alto luxo

Façamos uma pesquisa simples nos buscadores da internet, como o Google. Inserir, por exemplo, o nome de algum ministro do Supremo Tribunal Federal e digitar algo pueril como “comprou uma casa de”. Os resultados serão o imóvel adquirido pelo ministro aposentado Ricardo Lewandowski por R$ 9,4 milhões, em 2024; os bens da família Toffoli, que somariam R$ 26 milhões; a residência de R$ 12 milhões adquirida pelo ministro Alexandre de Moraes, em agosto de 2025, um mês antes do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado; a residência de R$ 22 milhões obtida à vista pelo ministro aposentado Luís Roberto Barroso, na Flórida (EUA), e por aí vai.

Obviamente, nenhuma dessas aquisições significa prova de ilícito. Muitos ministros possuíam carreiras bem-sucedidas na advocacia antes de serem nomeados para o Supremo. Mas sobram algumas questões: todos eram exitosos a esse nível que se vê hoje? E por que razão, e como, alguns deles continuaram a ser uma verdadeira máquina de arrecadar dinheiro após serem nomeados?

Plenário do STF: salário de um ministro hoje é de R$ 46,4 mil brutos, o que dá em torno de R$ 33 mil líquidos
Plenário do STF: salário de um ministro hoje é de R$ 46,4 mil brutos, o que dá em torno de R$ 33 mil líquidos

O salário de um ministro do Supremo é hoje de R$ 46,4 mil brutos, o que dá em torno de R$ 33 mil líquidos. Seriam necessários cerca de 25 anos de trabalho apenas para comprar uma casa em um valor de R$ 10 milhões, sem utilizar mais nada dos subsídios mensais. Nem para alimentação, viagens, combustíveis para os automóveis, presentes para os parentes. Logo, está mais do que claro, matematicamente, que muitos ministros não vivem dos seus salários.

Sob muitas perspectivas, ministros do STF não são pessoas normais, gente como a gente. Possuem o incrível poder de dar a última palavra sobre os temas controversos da nação. Mas pode-se perceber pelas contas bancárias que a diferenciação perto dos brasileiros comuns, inclusive da classe média alta, pode ser abissal.

Logo, sem prejulgar, é preciso ver caso a caso. Ficaram ricos antes de entrar no Supremo? Já possuíam bens que lhe garantiriam rendimentos eternos a ponto de considerar o salário até desprezível? Fizeram acordos com parentes, como os cônjuges, para que a bonança continuasse (uma certa votação na Corte em 2023 ajudou nesse tipo de acordo)?

Pensemos, por fim, no caso de Dias Toffoli. Ele se tornou um dos principais vilões do País por causa das ligações ainda não totalmente explicadas com o liquidado Banco Master, de Daniel Vorcaro. Inclusive, vendeu seu resort para um fundo ligado ao banco. Ok.

Mas se a gente busca a trajetória de Toffoli, como consultor jurídico da Central Única dos Trabalhadores, assessor parlamentar, advogado do Partido dos Trabalhadores, advogado de campanha do Partido dos Trabalhadores, dois anos de exercício de advocacia, advogado geral da União e depois ministro do STF, em 2009. Mesmo nessa bela trajetória, sempre em ascensão, seria possível comprar um resort de alto luxo no interior do Paraná? Com todo direito a não ser condenado antes da hora, ele deve essa resposta ao País.

 

 

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