16 de fevereiro de 2026
Politica

Lula explora sentimento antissistema em meio a silêncio de Flávio Bolsonaro sobre o Banco Master

O caso Master veio para ficar. Pautará os humores eleitorais em 2026, ministrado como capítulos de novela. Lula compreendeu a projeção de risco e decidiu botar o bloco discursivo na rua. Tentar se antecipar. Sabe que a forma como a crise é percebida tende a colar no governo de turno. Sabe que a crise pode mobilizar-animar o sentimento anticorrupção. Mais precisamente, o sentimento antissistema – que já decidiu eleição entre nós. O presidente é favorito à reeleição e aquele que tem mais a perder, sob quem se abriria o prejuízo de um chão de imprevisibilidade.

Vestindo envernizada cara de pau e beneficiado pelo apagamento da história da corrupção recente no Brasil promovido pelo anulador-geral da República e dublê de empresário Dias Toffoli, beneficiado também pelo rabo-preso dos Bolsonaro, Lula acresceu a seu discurso a figura do “magnata da corrupção”. É onipresente, com a pretensão de lhe servir por antídoto; porque recebeu Vorcaro quando impossível desconhecer o esquema de pirâmide que erguera; porque o Master não teria chegado para fumar charuto em Brasília sem ter firmado base a partir da Bahia petista; porque há o ônus da corrente sociedade entre governo e sua bancada no Supremo – percebido o STF como gestor de uma operação abafa.

Lula durante desfile das escolas de samba no domingo na Marquês de Sapucaí
Lula durante desfile das escolas de samba no domingo na Marquês de Sapucaí

“Nós vamos a fundo nesse negócio” – tem repetido. Nós: o governo, incluída – sob sua ordem – a Polícia Federal autônoma. Se depender da diretriz do Planalto, vai-se “a fundo” em terreno delimitado. “Nós queremos saber por que o governo do Rio de Janeiro e o Estado do Amapá colocaram dinheiro de fundo dos trabalhadores nesse banco. Qual é a falcatrua que existe entre o Master e o BRB?” No dia seguinte, a PF avançaria sobre o regime previdenciário de Davi Alcolumbre no Amapá, avançadíssimas já as investigações relativas ao Rioprevidência e ao BRB – dos bolsonaristas Claudio Castro e Ibaneis Rocha, respectivamente.

O jogo é jogado; e o poder tenta exercer algum controle sobre que pende ao incontrolável. “Vocês estão vendo a nossa briga com o tal do Banco Master”. Atenção: “a nossa briga”, a PF incorporada ao ministério. “Não é prender o cara que está na favela ou prender ele, não. É prender aquele que está de terno e gravata roubando e mora em apartamento de cobertura ou em Miami”. Trata-se de formulação antissistema pelo presidente da República, a própria expressão do sistema, e particularmente por um cujos governo e partido são associados à corrupção.

“É a primeira vez, na história do Brasil, que nós estamos perseguindo os magnatas da corrupção deste País.” Lula disse isso. Sem refutação. Inexistentes de súbito os empreiteiros amigos e a pilhagem à Petrobras. O empreendimento é explícito e ousado. O silêncio de Flávio Bolsonaro o ajuda. O silêncio eleitoralmente inexplicável – porque pegar essa bandeira representaria a chance competitiva à oposição. O silêncio rachadinhamente explicável – porque o Master estava (está) em todo lugar, idem os apagamentos de Dias Toffoli.

 

 

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