19 de fevereiro de 2026
Politica

Rebaixamento da Acadêmicos de Niterói foi o samba do desastre anunciado

Em geral, quem não é ligado em Carnaval mal presta atenção nos enredos das escolas de samba do Rio de Janeiro em meio a batucadas indiferenciáveis e a miríade das celebridades tradicionais e instantâneas. Ponto para a Acadêmicos de Niterói, que se tornou tema de debate em todo o Brasil.

Caiu na boca do povo, como se diz. Como um cometa, subiu para o Grupo Especial num ano e, no seguinte, foi rebaixada com um enredo de culto à personalidade do presidente Lula, quase aos moldes das ditaduras comunistas pré-queda do muro de Berlim.

O presidente Lula no desfile da Sapucaí no Rio de Janeiro
O presidente Lula no desfile da Sapucaí no Rio de Janeiro

Até aí tudo bem, mais uma história de verão. O problema é que, num momento de disputa eleitoral acirrada e hostil, o desfile malfadado da Acadêmicos de Niterói – com a conivência do casal presidencial Lula e Janja – servirá para oferecer discurso ao adversário.

Será aquela fala mais chavão: “A esquerda não respeita as famílias, a esquerda despreza a família”, e mostrarão as imagens daquelas famílias conservadoras enlatadas cujas imagens desfilaram na Marquês de Sapucaí.

Percebam que haverá um uso capcioso do termo “esquerda”, que irá abarcar a escola de samba, o Partido dos Trabalhadores, e tudo que envolver o casal presidencial. Diga-se a favor dos críticos que a primeira-dama Janja só desistiu de desfilar no último momento na escola rebaixada, talvez com dor no coração por mais uma oportunidade de aparecer com pompa perdida. Sorte dela, porque seria um tremendo batom na cueca.

Agora, a escola naufragou e o governo terá mais uma notícia negativa para lidar na esgrima eleitoral. Quem avisa, amigo é, diz o ditado popular. E muita gente avisou que iria “dar ruim”. A expressão, na verdade, é mais obscena. As fontes oficiais vão dizer que o governo não tinha nada a ver com o ocorrido e Lula e Janja lá estavam em um camarote do Sambódromo apenas para prestigiar o fenômeno cultural – algo por aí.

Sejamos sinceros. A escola de samba colocou na avenida o que o esquerdista médio acha de seus antípodas ideológicos – um bando de “conservadores” algo desprezíveis – e demonstrou uma bajulação imensa ao presidente, algo como o maior brasileiro que já andou sobre a Terra.

Digamos que a Acadêmicos de Niterói não mentiu, só expressou um sentimento comum, tanto no desfile como na letra do samba-enredo. Quem nunca chamou Bolsonaro de “Bozo” jogue a primeira pedra. Na recíproca, a esquerda será novamente associada ao desprezo pela santa unidade da família, de acordo com os slogans de ocasião.

 

 

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