Homenagem a Lula mudou clima positivo sobre carnaval nas redes para disputa política
A homenagem da Acadêmicos de Niterói ao presidente Lula (PT) gerou tanta controvérsia que mudou o tom das manifestações nas redes sociais sobre o carnaval de 2026. Se no início da festa as publicações ressaltavam as expressões culturais, depois do desfile o embate ideológico predominou. Os dados, obtidos pela Coluna do Estadão, foram levantados pela Ativaweb DataLab, que analisou cerca de 41 milhões de posts sobre a festa em quatro redes: Facebook, Instagram, X e TikTok.
A disputa foi deflagrada pela ala da agremiação “Neoconservadores em conserva”, criticada por evangélicos. O livro que detalha o enredo da Acadêmicos de Niterói explica que a fantasia da ala traz elementos que representam os grupos que levantam a bandeira do neoconservadorismo, como o agronegócio, os mais ricos, os defensores da ditadura militar e os grupos religiosos evangélicos.
“O ponto de inflexão foi quando o debate deixou de ser sobre Carnaval e passou a ser sobre identidade. Ali a curva mudou. Não foi só aumento de volume, foi mudança de direção”, afirmou o CEO da Ativaweb, Alek Maracajá.
A mudança no perfil dos debates nas redes se consolidou a partir desta terça-feira, 17, dois dias após a Acadêmicos de Niterói homenagear Lula na Sapucaí com o enredo “Do Alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”.
No domingo, as menções nas redes sociais sobre o desfile eram equilibradas ou “levementes positivas” à Acadêmicos de Niterói. Outro tema recorrente era a defesa da liberdade artística.
Dois dias depois, contudo, o cenário mudou e as menções negativas dominaram o debate. “O eixo saiu de carnaval e foi para família e valores”, afirmou o levantamento.

