26 de fevereiro de 2026
Politica

Ao brecar novas leis sobre supersalários, Dino interfere no Legislativo

Os parlamentares não estão se expondo em público em tema tão impopular, ainda mais em ano eleitoral, mas não digeriram a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, de proibir novas leis que criem “penduricalhos” no serviço público.

Nos bastidores, criticam a decisão. E quando isso acontece em Brasília a revanche é certa – mais cedo ou mais tarde.

Dino acertou em cheio no mérito ao tentar disciplinar a farra dos supersalários do funcionalismo, mas errou na forma.

Flávio Dino, ministro do STF, tem dado decisões para barrar penduricalhos nos Três Poderes
Flávio Dino, ministro do STF, tem dado decisões para barrar penduricalhos nos Três Poderes

Além de proibir a edição de novas leis que criem brechas para elevar artificialmente o limite de remuneração dos servidores, o ministro também exigiu que o Congresso cumpra sua função constitucional de regulamentar o que já está previsto no teto de gastos.

Hoje um servidor não pode ganhar mais que um ministro do Supremo – R$ 44 mil – e vemos manobras para pagar milhões por mês.

No mais recente exemplo de criatividade, o Congresso determinou que, a cada três dias trabalhados, os servidores folgariam um – e poderiam receber a folga em dinheiro.

Dino lembra, com razão, que o STF já arbitrou 12.925 casos sobre o tema desde 2000 e que o teto da remuneração do funcionalismo é constitucional. O ministro ainda fala da eficácia vinculante das decisões da Corte.

O argumento dos parlamentares, no entanto, é que o Legislativo tem a atribuição de criar leis, não o Judiciário.

E quando a legislação ainda está na fase de projeto, quem tem a competência de verificar sua constitucionalidade é a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) – uma das mais poderosas do Congresso.

O Judiciário só averigua a constitucionalidade a posteriori – ou seja, depois do projeto de lei aprovado.

Portanto, ao proibir a criação de novas leis, independente do mérito, o ministro estaria interferindo na prerrogativa de outro Poder.

O problema no Brasil é que, por força dos lobbies do funcionalismo, o Congresso aprova continuamente leis que consideram constitucionais medidas flagrantemente inconstitucionais quando se trata de supersalários do funcionalismo.

Mas é preciso ter coerência. A solução é avançar na discussão da reforma administrativa no Congresso por mais que demore ou por menos vontade política do governo e do próprio parlamento.

Se você é contra a interferência excessiva do Judiciário na economia, não adianta defender o princípio apenas quando convém. Não se faz reforma com decisão monocrática de ministro do Supremo.

 

 

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