Depoimento de Vorcaro na CPI poderia ser oportunidade para escancarar a bancada do Master
O vento soprava até a noite da quinta-feira, 19, na direção de que o banqueiro Daniel Vorcaro, o mais novo pop star do circuito político-judicial, seria ouvido no Congresso na próxima segunda-feira, 23. Seria a primeira vez em que o dono do Master ganharia microfone e holofotes ao vivo para falar. O depoimento deixa a corte brasiliense em estado de suspensão.
Há quem acredite que Vorcaro é um arquivo ambulante. Seria capaz de abalar pilares da República se houvesse interesse em virar delator. Mas vejamos o histórico. Até hoje, só quem abriu a boca para admitir crimes próprios e alheios estava preso, sob risco de não ver no calendário esperança de mudar de regime e ainda com a possibilidade de pessoas próximas serem arrastadas para a mesma condição.

Com o precursor dos delatores, o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa, foi assim. Na Era Lava Jato, foi mantido preso por um bom tempo. Quando houve o risco de parentes seus receberem o mesmo tratamento, contou tudo o que sabia sobre a corrupção na estatal.
Mais recentemente, o coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro, também preso, só assinou acordo de delação sob o risco de seu pai também vir a ser preso. O coronel, como se sabe, entregou os crimes tentados e praticados por Bolsonaro. Estão hoje ambos, Cid e o ex-chefe, condenados por tentativa de golpe de Estado. Só que o delator recebeu o beneplácito judicial para ter pena reduzida.
Vorcaro está apenas em prisão domiciliar, usando tornozeleira. Perdeu o banco e o direito de circular em rodinhas do high society. Com o Master liquidado pelo Banco Central, o banqueiro ainda pode querer buscar uma saída financeira, nem que seja para manter ainda algo do patrimônio.
O mesmo Vorcaro é conhecido por ter contato com os Toffoli e os Moraes. Com a primeira família, teve fundo de parente seu comprando cotas de empresa do ministro Dias Toffoli. Já para a segunda, fez contrato com a advogada Viviane Barci.
Se perguntado sobre esses seus negócios, Vorcaro irá até onde? E se as perguntas forem na direção dos políticos com quem ele se deu por muito tempo?
No Congresso, quando uma figura de relevância se senta na incômoda cadeira de depoente, em menos de 20 minutos já se vê quem está do seu lado e quem não está. O depoimento de Vorcaro poderia, então, expor os integrantes da bancada do Master, deputados e senadores que se apressem em levantar questões de ordem, causar algum tumulto, fabricar cenas para que se veja de tudo, menos revelações que possam comprometer aquela que já foi a patota do Master.
