26 de fevereiro de 2026
Politica

Nikolas faz dobradinha com candidato de Zema em Minas enquanto Flávio segue sem palanque no Estado

Nome dos sonhos de Flávio Bolsonaro (PL) para o palanque em Minas Gerais, o deputado federal Nikolas Ferreira (PL) não apenas resiste à pressão para ser candidato como tem ajudado uma candidatura a governador cujo principal compromisso político é apoiar a candidatura presidencial de Romeu Zema (Novo).

Desde o final do ano passado, Nikolas faz uma dobradinha com Mateus Simões (PSD), vice-governador que na prática governa o Estado nos últimos meses. Ele tem liberado recursos para atender a demandas por obras e outras ações apresentadas pelo parlamentar bolsonarista.

O movimento mais explícito ocorreu nesta semana. Nikolas convidou o vice-governador para acompanhá-lo na quinta-feira, 19, em anúncios de investimentos que totalizaram R$ 54 milhões em Juiz de Fora (MG) e Ponte Nova (MG).

Vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões discursa ao lado de Nikolas Ferreira em Juiz de Fora
Vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões discursa ao lado de Nikolas Ferreira em Juiz de Fora

Embora os recursos sejam do governo estadual, os eventos são tratados pelos próprios aliados de Simões como agendas organizadas pelo deputado federal. A viagem termina nesta sexta-feira, 20, em São João del Rei (MG), município governado por um prefeito do PL eleito com apoio de Nikolas. O valor do investimento na cidade ainda não foi divulgado.

A aproximação entre os dois ocorre no cenário em que Flávio ainda não tem um palanque em Minas. Segundo aliados ouvidos pelo Estadão, o senador ainda tenta convencer Nikolas a aceitar uma candidatura, mas o deputado federal já negou publicamente a possibilidade em diversas ocasiões.

A previsão é que o parlamentar visite Jair Bolsonaro na prisão no próximo sábado, 21, justamente para discutir seu futuro político e o posicionamento do PL mineiro na eleição.

Se Nikolas ficar mesmo fora do tabuleiro, o PL terá dificuldade para apresentar nomes competitivos para disputar o Palácio Tiradentes e impulsionar Flávio no segundo maior colégio eleitoral do País.

Um caminho alternativo seria uma aliança com o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos). Líder nas pesquisas, ele suspendeu as tratativas eleitorais para se dedicar aos cuidados de um irmão diagnosticado com leucemia, o que aumentou a incerteza sobre se de fato estará nas urnas.

Ao Estadão, Mateus Simões sinalizou com a possibilidade de ter um palanque “múltiplo”, isto é, com Zema e Flávio como candidatos a presidente – ele ainda precisaria equilibrar no palanque a candidatura presidencial do PSD. A nível estadual, o vice-governador afirma ter fechado um acordo com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para o PL indicar um dos senadores em sua chapa.

O acerto, contudo, ocorreu antes da prisão do ex-presidente e também do lançamento da candidatura de Flávio. “Eu continuo acreditando na unificação do palanque em Minas Gerais, independentemente do cenário nacional. O cenário dividido nacionalmente foi um pedido do próprio presidente Bolsonaro, que disse que acreditava que vários candidatos à Presidência eram a melhor forma de chegar ao segundo turno. Parte disso vai significar que em alguns Estados a direita estará unificada mesmo com um palanque nacional múltiplo”, afirmou Simões.

Eleições à parte, Nikolas passa por atritos na relação com o núcleo mais próximo de Bolsonaro. O mais recente deles é sobre a pauta de um protesto marcado para o dia 1º de março na Avenida Paulista.

Uma ala do bolsonarismo busca emplacar como pauta principal a anistia, a derrubada do veto à dosimetria e da liberdade do que chamam de presos políticos. Já o parlamentar fez a convocação priorizando os desdobramentos do caso Master e pedindo “Fora Lula, Toffoli e Moraes”.

Ele chegou a escrever para seus seguidores não acreditarem em ninguém que os chame para o ato sem pedir o impeachment dos ministros do STF e a saída do presidente da República.

Nikolas também foi cobrado por bolsonaristas nas redes sociais por uma suposta falta de engajamento na candidatura de Flávio. Ele respondeu dizendo que apoia o filho do ex-presidente, mas que não participará da coordenação ou planejamento da campanha porque sua prioridade é a reeleição em Minas.

O paramentar tem dito a aliados que seu plano é se candidatar a governador somente em 2030. A ideia dele é utilizar essa eleição para consolidar uma bancada de deputados federais e estaduais aliados que, espalhados pelo Estado, funcionariam como alicerces na eleição seguinte – em Juiz de Fora, por exemplo, Nikolas disse que a demanda foi inicialmente apresentada pela vereadora Roberta Lopes (PL), pré-candidata a deputada estadual.

Ao Estadão, Simões cortejou o aliado bolsonarista, mas negou que as agendas conjuntas representem um apoio do deputado à sua pré-candidatura. “Quem não gostaria de ter o apoio de Nikolas Ferreira? Se perguntar pro Lula, acho que até ele gostaria. Mas não é por isso que essas agendas estão sendo feitas. Elas não são uma sinalização, é só trabalho mesmo”, desconversou Simões.

A dobradinha com Nikolas ajuda Simões no principal desafio de sua pré-candidatura: tornar-se conhecido do eleitorado mineiro. O bolsonarista tem feito publicações conjuntas com o vice-governador em seus perfis nas redes sociais, colaborando para divulgar a imagem do aliado. Enquanto o deputado tem mais de 20 milhões de seguidores apenas no Instagram, Simões não chega a 100 mil na plataforma.

O vice-governador, que assume oficialmente o governo mineiro em abril com a saída de Zema, tem feito uma série de acenos à direita. No início do mês, ele afirmou que iria descumprir uma decisão do Tribunal de Justiça que suspendeu o programa de escolas cívico-militares, projeto lançado originalmente pelo governo Bolsonaro, em Minas Gerais. “Podem preparar para mandar me prender, porque eu vou abrir colégios cívico-militares assim que eu assumir como governador do Estado”, disse na ocasião.

Simões foi um dos primeiros integrantes do Novo a vencer uma eleição. Ele foi eleito vereador de Belo Horizonte em 2016. Depois, foi coordenador das duas campanhas de Zema, sendo primeiro secretário e depois vice. No final do ano passado, trocou o Novo pelo PSD de Gilberto Kassab de olho na estrutura partidária – a sigla lidera o Estado em número de prefeitos – e musculatura política.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *