Servidora que acessou dados da mulher de Moraes esperou 4h por tornozeleira em cadeia de homens
Alvo de busca e apreensão na terça, 17, por suspeita de acessar dados fiscais da mulher do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, a servidora da Receita, Ruth Machado dos Santos, foi levada pela Polícia Federal ao Centro de Progressão Provisória de São Vicente, no litoral paulista – unidade masculina – para a instalação de tornozeleira eletrônica com carga suficiente para que pudesse retornar ao Guarujá, onde mora.
Segundo a defesa, a situação foi “degradante” e “constrangedora”. A reportagem pediu manifestação da Polícia Federal sobre o protocolo adotado. O espaço está aberto.
De acordo com investigadores, Ruth teria acessado, em 21 de agosto de 2025, nas dependências da unidade do Fisco no Guarujá, os dados fiscais de Viviane Barci de Moraes.

A servidora nega veementemente a acusação. Em nota, a defesa afirmou que Ruth “não possui qualquer vínculo político-partidário” e que “não concorreu para a infração penal”.
Após prestar depoimento por cerca de 40 minutos, Ruth recebeu uma tornozeleira com apenas 4% de bateria, o que, segundo a defesa, seria insuficiente para o deslocamento até o Guarujá, que fica a 44 km do CPP de São Vicente.
Diante da contestação, a servidora e seu advogado aguardaram por cerca de quatro horas no presídio, destinado a detentos do regime semiaberto que trabalham ou estudam fora da unidade, até que fosse providenciado um equipamento com carga suficiente.

Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Ruth está proibida de deixar o Guarujá, deve cumprir recolhimento domiciliar no período noturno e aos fins de semana. Ela não pode sair do País nem ingressar nas dependências da Receita.
Além de Ruth, outros três servidores públicos foram alvo da PF sob suspeita de acessar dados de ministros do STF e parentes: Luiz Antônio Martins Nunes, Luciano Pery Santos Nascimento e Ricardo Mansano de Moraes.
‘Em atendimento’
Segundo investigadores da Polícia Federal a par do depoimento de Ruth, a servidora afirmou inicialmente que o suposto acesso aos dados de Viviane teria ocorrido enquanto ela realizava um atendimento em outro setor da Receita no Guarujá.
Ruth, que havia retornado de férias em 5 de agosto, duas semanas antes da data do registro do acesso, disse não saber se suas credenciais funcionais podem ter sido utilizadas por outro servidor. Ela afirmou que nunca compartilhou senhas ou tokens institucionais com terceiros.
Na casa de Ruth foram apreendidos dois celulares que estão sendo analisados pela PF.
COM A PALAVRA, A DEFESA DE RUTH MACHADO DOS SANTOS
Diante das notícias recentemente veiculadas acerca de supostos vazamentos envolvendo dados fiscais de familiares do doutor Alexandre de Moares, Ministro do Supremo Tribunal Federal, a defesa de Ruth Machado dos Satos manifesta-se publicamente para esclarecer os fatos.
Trata-se de profissional com quase 32 anos de serviço público, cuja trajetória funcional é marcada pela correção, discrição e absoluto respeito às normas que regem a Administração Pública, com estrita observância aos deveres legais, especialmente aqueles relacionados ao sigilo funcional, à proteção de dados e à responsabilidade inerente ao cargo. Ao longo de mais de três décadas de exercício, jamais respondeu a qualquer procedimento disciplinar, sindicância ou investigação, mantendo reputação ilibada e reconhecida por colegas e superiores hierárquicos.
Cumpre-nos ressaltar que a profissional não possui qualquer vínculo político-partidário, histórico de militância ou engajamento ideológico que pudesse, ainda que em tese, sugerir motivação de natureza política. Trata-se de atuação técnica, apartidária, e de uma vida funcional distante de disputas ou alinhamentos dessa natureza.
Por fim, a defesa está confiante que a apuração dos fatos ocorrerá com serenidade, responsabilidade e respeito às garantias constitucionais do devido processo legal, assegurando-se a ampla defesa e o contraditório. Tem-se convicção de que, ao final, restará demonstrado que a servidora não concorreu para a infração penal.
