27 de fevereiro de 2026
Politica

Por que o Brasil precisa de mais robôs antes de discutir o fim da escala 6×1?

O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, afirmou que o País precisa aumentar a produtividade em vários setores da economia antes de acabar com a escala de trabalho 6×1 e ressaltou que isso passa pela automação. Mas a realidade brasileira ainda está muito atrás do cenário global.

Velloso apontou este exemplo: enquanto a média mundial é de 162 robôs por 10 mil trabalhadores, por aqui a média é de 10 robôs por 10 mil, contingente 93% menor. Os dados apresentados por ele à Coluna do Estadão, que englobam os anos de 2024 e 2025, são da Federação Internacional de Robótica (IFR).

“O Brasil tem produtividade baixíssima e precisa aumentá-la para reduzir a jornada de trabalho. Uma das principais formas de melhorar a produtividade é a automação. A proposta de redução de jornada de 44 para 40 horas seria uma bomba contra os setores produtivos”, afirmou Velloso à Coluna do Estadão, acrescentando que o atraso do País está não só na indústria, mas na agropecuária e no setor de serviço, os principais motores da economia.

O Congresso Nacional retoma nesta volta dos trabalhos pós-carnaval o debate sobre a redução da jornada, tema popular para as eleições. A Câmara discute a medida em duas Propostas de Emenda Constitucional, enquanto o Planalto prepara um novo projeto sobre o tema, tentando acelerar a votação, apesar da insegurança jurídica que o instrumento pode causar.

O presidente da Abimaq rebateu uma declaração do presidente da Câmara, Hugo Motta, em defesa da discussão da escala 6×1 na Casa. No último dia 9, ao enviar à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) uma proposta que prevê o fim da escala 6×1, Motta afirmou que “já passou da hora de enfrentarmos essa questão” e ressaltou que o País está “em meio à revolução tecnológica”.

“A justificativa de Motta de que as novas tecnologias justificam a redução de jornada e a proibição da escala 6×1 não encontram justificativa na realidade. O Brasil está muito atrasado na automação, que ainda não existe na maioria das indústrias nacionais”, disse José Velloso.

De acordo com o líder da entidade, a produtividade nacional cresceu apenas 0,2% ao ano entre 1981 e 2024, bem abaixo da experiência internacional. Ele acrescentou que o País ocupa a 100ª posição global de produtividade por trabalhador, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT).

José Velloso, presidente da Abimaq
José Velloso, presidente da Abimaq

Comissão da Câmara analisará proposta e Planalto prepara novo projeto

A CCJ da Câmara deve começar a analisar, nos próximos dias, uma proposta para acabar com a escala 6×1. O texto une uma proposição da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).

Apesar da retomada das propostas apresentadas por governistas, o presidente Lula pretende enviar ao Congresso um novo projeto, em regime de urgência. O objetivo é garantir uma aprovação rápida e fazer a proposta virar bandeira eleitoral na campanha à reeleição.

 

 

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