26 de fevereiro de 2026
Politica

Ministra diz que morte da irmã Marielle Franco abriu ‘tampa de bueiro’ no Rio de Janeiro

No momento em que a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) inicia o julgamento dos réus acusados de mandar matar a vereadora Marielle Franco, a ministra Anielle Franco, irmã de Marielle, diz viver uma “mistura de sentimentos”, mas acredita que a luta da família “não foi em vão”.

“A gente falou tanto essa frase, ‘Quem mandou matar Marielle e Anderson?’, e chegar nesse julgamento é uma mistura de que nossa luta não foi em vão, e não vai parar pós-julgamento, mas de que a gente não queria estar nessa posição”, lamenta a ministra da Igualdade Racial, que afirma não esquecer daquele 14 de março de 2018, quando viu os pais desmontados no chão de casa após a notícia da morte da filha.

“Justiça mesmo seria ela estar viva, mas agora a gente vai até o final, para que a gente consiga não só justiça pela Mari e Anderson, mas fortalecer a democracia e mostrar que não tem crime que mereça ficar impune no Brasil”, disse.

Execução abriu ‘tampa de bueiro’ no Rio de Janeiro

A ministra Anielle Franco acredita que o caso da irmã “abriu a tampa de um bueiro” no Rio de Janeiro, onde, entre outras particularidades do caso, um dos réus acusados de encomendar o assassinato foi o próprio chefe da Polícia Civil do Estado à época.

“A Mari abre uma tampa de um bueiro, porque ter um delegado que sentava com a gente sendo um possível participante disso, é infelizmente o retrato do nosso Estado”, lamenta Anielle.

“Segurança pública vai ser sempre um calo no nosso sapato, mas espero muito que a gente possa olhar para o nosso Estado e pense: ‘a gente venceu’, mas não vejo muita mudança”, disse a irmã de Marielle.

Marielle ainda sofre ataques oito anos após assassinato

Anielle Franco contou que a família está em Brasília desde o domingo, 22, e que a mãe, Marinete, se apoia na fé para seguir firme diante de uma perda tão violenta e repentina. Ela lamentou ainda o fato de que, mesmo 8 anos depois da execução da irmã, Marielle ainda seja alvo de inúmeros ataques.

“Não dá para minimizar o que foi esse crime, e os ataques que ela ainda recebe mesmo tendo levado 5 tiros na cabeça”, lamentou a ministra.

O julgamento que começa nesta terça-feira, 24, em Brasília, vai tratar dos casos dos seguintes réus, acusados de serem os mandantes da execução da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes: Chiquinho Brazão, ex-deputado federal; Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro; Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro; Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial; Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.

A vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros, junto com o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018
A vereadora Marielle Franco foi assassinada a tiros, junto com o motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018

 

 

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