Itamaraty vê com cautela novas tarifas de Trump sobre produtos brasileiros e aguarda implementação
O Itamaraty vê com cautela as novas tarifas globais anunciadas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após sofrer um revés na Suprema Corte norteamericana.
Por conta do comportamento intempestivo de Trump, diplomatas avaliam ser necessário aguardar a real implementação das novas tarifas para entender a “versão final” do que será imposto pelo norteamericano.
O objetivo do governo brasileiro, porém, segue sendo o de diminuir ao máximo o tarifaço imposto aos produtos nacionais. O governo quer ver ainda como será a implementação das novas tarifas tanto para o Brasil quanto para os demais países.
O presidente Lula vai aos Estados Unidos encontrar Trump em meados de março, provavelmente na última semana, e o tarifaço será um dos assuntos centrais da visita. O ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores) também trabalha pela diminuição das tarifas, já tendo tanto se reunido com o secretário de Estado americano, Marco Rubio, como falado diversas vezes por telefone com o secretário de Trump.
A Corte derrubou na sexta-feira, 20, parte significativa do regime tarifário global de Trump, decidindo que, segundo a Constituição americana, é do Congresso o poder de impor impostos.
Logo após a decisão do Tribunal, no entanto, Trump assinou uma ordem executiva na qual decidiu colocar impostos de 10% sobre as importações de todo o mundo. Essas tarifas seriam limitadas a apenas 150 dias, a menos que fossem prorrogadas no Legislativo. Vinte e quatro horas depois, o presidente americano mudou de ideia, e elevou para 15% as tarifas globais.
Na prática, a maior parte dos produtos brasileiros passa a enfrentar uma tarifa de 15%, com exceção de itens como aço e alumínio, que continuam sujeitos à alíquota de 50%, a ser somada à tarifa global. Diplomatas brasileiros afirmam, porém, que acreditam que poderá haver redução nas tarifas para setores que já eram alvo do tarifaço e, “teoricamente”, a tarifa será a mesma para todos.

