O alerta feito pelo general alemão e o aniversário da guerra na Ucrânia
“Precisamos treinar onde e como nós iremos lutar.” A frase do general Carsten Breuer, o inspetor-geral do Bundeswehr, parece banal na boca de um militar. Mas sua gravidade e urgência se tornam evidentes quando se sabe onde e em que circunstância foi dita.

Breuer estava em um posto de comando em Klaipeda, na Lituânia. Diante dele, cujo cargo equivale ao de chefe do Estado-Maior da Defesa na Alemanha, havia um mapa do país báltico. Ele revisava planos de envio de munições e combustível à brigada blindada alemã estacionada na Lituânia, diante da fronteira com Belarus. A frase foi registrada pelo The Wall Street Journal.
O conflito na Ucrânia entra no quinto ano, e a inteligência alemã estima que, em três anos, a Rússia estará preparada para lançar uma guerra em larga escala na Europa. Breuer tem liderado uma cruzada para convencer os alemães de que eles devem estar preparados para proteger sua liberdade e sua democracia no momento em que os EUA se tornaram um parceiro pouco confiável da União Europeia.

É aí que entra a importância do preparo e da prontidão. Em seu perfil no Instagram, o general posta vídeos mostrando o desenvolvimento de drones camicases e o treinamento de seus fuzileiros para essa nova guerra. Para ele, a Europa ainda não está em guerra, mas não está mais em paz. Breuer quer ter mais três divisões completas para combate até 2032. E prevê, só neste ano, acrescer 20 mil militares ao efetivo atual de 184 mil. Em 2025, seu país gastou US$ 107 bilhões com a Defesa ante US$ 186 bilhões da Rússia. A França empregou US$ 70 bilhões e a Polônia, US$ 33,2 bilhões, acima dos US$ 24 bilhões do Brasil, segundo dados do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos, de Londres.
Mas e o Brasil com isso? Na reunião que teve com os chefes militares em 15 de janeiro, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou o que o País precisava fazer para poder enfrentar uma ação estrangeira como a dos EUA na Venezuela. Recebeu das Forças um diagnóstico sobre investimentos para os próximos 15 anos que chegavam a R$ 800 bilhões, dos quais R$ 200 bilhões só para o Exército. Da Marinha, Lula ouviu a necessidade de mais quatro fragatas, submarinos, mísseis mar-ar e drones. Após a reunião, o Exército transformou a artilharia antiaérea em projeto estratégico.
A guerra da Ucrânia será lembrada, como escreveu o coronel Paulo Filho, na melhor hipótese, como “um momento definidor, que alterou profundamente as relações internacionais nesta segunda década do século”. E, na pior, como um ensaio de uma conflagração maior. Não é mais possível se sentir seguro só porque o Atlântico é mais largo do que o Rio Neman.
