Ministra segura terço e imagem de santa no STF durante julgamento de mandantes da morte da irmã
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, segura um terço e uma imagem de Nossa Senhora Aparecida durante o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) contra os réus acusados de encomendar o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, executada em 2018. Além da irmã Anielle, acompanham a sessão na Primeira Turma da Corte o pai (Antônio), a mãe (Marinete), a filha (Luyara) e a viúva (Mônica Benicio, vereadora carioca) de Marielle.
Durante a sessão, a mãe de Anielle, Marinete, passou mal e deixou o auditório aos prantos. Nesse momento, o relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, citava a delação de Ronnie Lessa, assassino confesso, em que foi feita a descrição do planejamento do atentado.
A mãe da vereadora foi atendida por bombeiros do STF, acompanhada de Anielle e a filha de Marielle, Luyara. O grupo ficou cerca de 40 minutos fora da sessão.
STF julga mandantes do atentado
O Supremo julga os seguintes réus, acusados de serem mandantes do assassinato de Marielle:
- Chiquinho Brazão, ex-deputado federal;
- Domingos Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do Rio de Janeiro;
- Rivaldo Barbosa, ex-chefe da Polícia Civil do Rio de Janeiro;
- Ronald Paulo de Alves Pereira, ex-policial;
- Robson Calixto Fonseca, ex-assessor de Domingos Brazão.
Logo na abertura do voto, o relator apresentou sua interpretação sobre as motivações do assassinato da vereadora. Moraes votou pela condenação dos quatro réus.
O magistrado afirmou que as provas colhidas pela Polícia Federal contra Chiquinho e Domingos Brazão são “coerentes” e “harmonizadas” e demonstram a “motivação” do crime, assim como a “forma de pagamento” do assassinato executado por Ronnie Lessa.
“Se juntou a questão política com a misoginia, o racismo, a discriminação. Marielle Franco era uma mulher preta, pobre, que estava, no popular, peitando os interesses de milicianos. Qual o recado mais forte que poderia ser feito? Na cabeça misógina, preconceituosa, dos mandantes e executores, quem iria ligar para isso? ‘Vamos eliminá-la e isso não terá grande repercussão’”, disse.
