26 de fevereiro de 2026
Politica

Presidenciáveis do PSD têm pendências em seus Estados e vislumbram Senado como plano B

BRASÍLIA – Além de não terem nenhuma garantia de suas candidaturas ao Palácio do Planalto, os governadores Ronaldo Caiado, de Goiás, Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, todos do PSD, ainda enfrentam obstáculos para fazer seus sucessores em casa.

Os dois do Sul veem seus indicados mal nas pesquisas e podem ter entraves caso sejam preteridos no pleito presidencial e queiram disputar o Senado. Todos eles estão em seus segundos mandatos e, por isso, precisarão tentar outro cargo em 2026.

Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. posam com Gilberto Kassab; caberá ao presidente do PSD decidir qual dos três será o nome à Presidência
Eduardo Leite, Ronaldo Caiado e Ratinho Jr. posam com Gilberto Kassab; caberá ao presidente do PSD decidir qual dos três será o nome à Presidência

Dos três nomes, Ratinho Júnior é quem aparece mais bem posicionado na mais recente pesquisa realizada sobre o cenário eleitoral e que inclui os postulantes do PSD. O governador do Paraná tem 8% das intenções de voto para presidente, ante 4% de Caiado e 3% de Eduardo Leite.

Nenhum dos pessedistas iria para segundo turno, conforme as simulações da Genial/Quaest, que mostram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho “01″ de Jair Bolsonaro (PL), o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), liderando as intenções de voto. O presidente do PSD, Gilberto Kassab, já disse que deverá fazer a escolha por um dos três até o dia 15 abril.

“O Brasil estará muito bem servido se puder contar com Ronaldo Caiado, Eduardo Leite ou Ratinho Júnior como seu presidente da República, a partir de 2027″, afirmou Kassab no último dia 20, numa rede social.

Para o cientista político Marco Antônio Carvalho Teixeira, da Fundação Getulio Vargas (FGV), essa movimentação do PSD mostra uma inclinação política similar ao que foi o MDB no passado. “É um grande partido que não consegue ter um projeto próprio. É o velho grande MDB. Ele é tão fragmentado que ninguém une algo em torno de si”, afirmou. “É um partido que está em todos os palanques, governos, tem lideranças para todos os gostos e por conta disso não tem projeto nacional.”

Na leitura do cientista político, a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência enfraquece uma investida mais contundente do PSD. “O nome do Flávio inviabilizou os três, Flávio capitalizou isso para si e o restante ficou à deriva. Quem seriam, na direita, seus aliados? Com Flávio, eles não têm”, disse.

Problemas no Palácio do Iguaçu

Apesar de melhor posicionado na comparação com os correligionários, Ratinho Jr. tem entraves para emplacar seu sucessor no Palácio Iguaçu. A expectativa é que ele apoie o secretário das Cidades do Estado, Guto Silva, apontam figuras próximas. A aposta do governador e do seu grupo é na alta popularidade apontada em pesquisas – levantamento Genial/Quaest de fevereiro indica que ele tem 81% de aprovação –, mas há complicações.

Ratinho Jr. tem entraves para emplacar seu sucessor no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná
Ratinho Jr. tem entraves para emplacar seu sucessor no Palácio Iguaçu, sede do governo do Paraná

Para outubro, pesquisas apontam que o senador Sérgio Moro (União-PR) lidera a corrida, especialmente pela ainda forte presença do lavajatismo no Estado. O próprio Moro tem problemas, já que enfrenta resistência na federação com o PP para lançar o seu nome para o jogo. O presidente do PP no Estado, deputado Ricardo Barros (PR), é um desafeto político do ex-juiz e trabalha para impedir o pleito do senador.

Ratinho também atua nos bastidores para tentar atrair o voto lavajatista. A principal investida foi feita no Novo. O deputado federal cassado Deltan Dallagnol (PR) projeta voltar à política em 2026, apesar de estar inelegível, de acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Mesmo assim, o governador busca atraí-lo como candidato a vice na chapa de seu sucessor.

Caso queira concorrer ao Senado, Ratinho Júnior também precisará desfazer alguns nós. Pesquisa da Paraná Pesquisas divulgada no final de janeiro traz o ex-senador Alvaro Dias, hoje no MDB, em primeiro. O pessedista Alexandre Curi, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, aparece em segundo.

“Ratinho é o melhor candidato da terceira via (para a Presidência da República). Acho que, aqui no Paraná, ele tem muita força política, mas o candidato dele está com 5% nas pesquisas”, afirmou o deputado federal Ricardo Barros (PP-PR).

Problema semelhante em Goiás

Caiado pode ter o mesmo problema de Ratinho em outubro: alta popularidade mas, ao menos por enquanto, sem conseguir transferir na mesma medida para seu candidato. Apontado pela Genial/Quaest como o governador mais popular no País, com 86% de aprovação, ele deverá colocar o vice, Daniel Vilela (MDB), nas urnas.

Caiado ainda não conseguiu transformar sua alta popularidade em intenções de voto para seu candidato a sucessor em Goiás
Caiado ainda não conseguiu transformar sua alta popularidade em intenções de voto para seu candidato a sucessor em Goiás

Ele aparece com 39,3% das intenções de voto, contra 24,4% do ex-governador e senador pelo Estado Marconi Perillo (PSDB), segundo a Paraná Pesquisas.

Nos bastidores, o governador organiza a formação de uma grande chapa com demais legendas da direita e da centro-direita para evitar surpresas nas votações para o governo do Estado e no Senado. Ele colocou sua esposa, Gracinha, no comando do União Brasil no Estado. Com 36,1%, ela lidera as pesquisas de intenção de voto ao Senado, de acordo com levantamento da Paraná Pesquisas de dezembro.

O deputado federal Gustavo Gayer (PL) aparece em segundo, com 21,1% – no início do ano, um acordo do parlamentar com o ex-líder do governo na Câmara Major Vitor Hugo (PL) definiu que Gayer disputará o Senado e o vereador de Goiânia, a Câmara dos Deputados.

Uma saída defendida para Caiado seria que ele fosse titular na vaga e Gracinha ocupasse a suplência.

Situação adversa nos Pampas

No Rio Grande do Sul, a situação é também adversa para Eduardo Leite. Última rodada de pesquisas da Quaest, de agosto, mostra empate técnico entre Juliana Brizola (PDT) e o bolsonarista Zucco (PL). Ela aparece com 21% das intenções de voto, e ele com 20%. Mais atrás está o petista Edegar Pretto, com 11%, e só depois surge o vice de Leite, Gabriel Souza (MDB), com 5%.

Para 54% dos gaúchos, o governador Eduardo Leite não merece emplacar o sucessor
Para 54% dos gaúchos, o governador Eduardo Leite não merece emplacar o sucessor

Essa mesma pesquisa apontou que 54% dos gaúchos dizem que Leite não merece emplacar o sucessor. É uma tradição no Estado não reeleger o governador – Leite foi o primeiro a romper essa sina ao ser reconduzido ao cargo, em 2022.

Aquela eleição também foi especialmente parelha. Onyx Lorenzoni (PL) liderou no primeiro turno e apenas 2.441 votos separaram Leite e Edegar Pretto (Leite teve 1.702.815 votos, e Pretto 1.700.374) da ida ao segundo turno. Na segunda rodada, com “apoio crítico” do PT, Leite virou o jogo contra Lorenzoni e venceu com 57,12% dos votos válidos.

Leite e o PT travam uma disputa paralela para tentar atrair Juliana Brizola como vice em suas candidaturas. Na leitura dos dois grupos, a presença dela na chapa pode ser o fiel da balança e garantir a vitória de suas candidaturas.

O governador, por sua vez, lidera pesquisas de intenção de voto para o Senado, de acordo com a Real Time Big Data divulgada em novembro de 2025. Ele aparece com 19%, enquanto Manuela d’Ávila (PSOL) tem 16%.

 

 

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