26 de fevereiro de 2026
Politica

Flávio Bolsonaro obtém suas duas primeiras vitórias na caminhada da disputa presidencial

Restando ainda quase oito meses para as eleições, o pré-candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, já colheu ao menos duas vitórias importantes. Embora os resultados da pesquisa que o colocam em empate técnico com Lula precisem ser relativizados diante da distância para o pleito e de um cenário ainda incompleto, servem muito bem para solidificar a sua candidatura e liquidar as chances de quem trabalhava para evitar uma nova disputa entre o petista e a família Bolsonaro.

O desempenho a essa altura serve muito mais a isso e tem dado resultado no momento em que começam a se afunilar as discussões sobre candidaturas e apoios partidários. As movimentações na centro-direita para tentar fazer o governador Tarcísio de Freitas substituí-lo foram paralisadas na medida em que o principal argumento para tirar Flávio da disputa, o de que ele perderia com facilidade para Lula, não se sustenta no momento.

A segunda vitória vem ao implodir o entusiasmo em torno de uma terceira via construída por Gilberto Kassab com os três governadores pré-candidatos do PSD. Os demais partidos de centro vão descartando a hipótese de se unirem a uma proposta que, hoje, não parece demonstrar capacidade de enfrentar uma polarização cada vez mais dada. Ao abocanhar todo o eleitorado de Jair Bolsonaro, Flávio torna muito difícil que um eventual segundo turno entre ele e o petista seja revertido sem uma mudança brutal da conjuntura brasileira.

Flávio Bolsonaro obteve êxito na tarefa de conter pressões por Tarcísio e terceira via
Flávio Bolsonaro obteve êxito na tarefa de conter pressões por Tarcísio e terceira via

No cenário atual, o senador acerta mais do que Lula. Trabalha para distensionar as relações com outros campos do eleitorado e oferecer uma imagem menos dura que a do pai. Oferece, pelo menos no discurso atual, uma posição mais assertiva contra o racismo e mais tolerante em relação ao público LGBT, para ficar em dois exemplos. Explorou bem a piada do “meu amigo Flávio” nas redes para parecer alguém afável e divertido. E com isso consegue, no atual momento, convencer quase todo mundo que não rejeita peremptoriamente a família Bolsonaro. Alcançou algo próximo do teto que a rejeição define atualmente para ele.

Isso não significa que Flávio seja hoje o favorito da eleição. Esse posto ainda é de Lula. Sempre ressalto a distância para a eleição como um fator que turva as coisas. Mas Lula tem a poderosíssima máquina nas mãos e uma campanha eleitoral inteira pela frente para começar a se defender e fazer um comparativo com dados muito ruins do governo Bolsonaro nas mais variadas áreas.

É historicamente comprovado que um candidato no cargo, em geral, cresce ao menos um pouco durante a campanha e que, na reta final, os indecisos acabam evitando arriscar – leia-se trocar de governo. Aconteceu em todas as disputas presidenciais recentes – inclusive com Bolsonaro em 2022 após sair de uma desaprovação proibitiva para uma derrota por detalhes – e também nas mais importantes municipais.

O petista também terá oportunidade de começar a trabalhar na descontrução de Flávio Bolsonaro, o que ainda não começou a fazer por razão estratégica. Certo ou errado, o campo lulista optou por preservar Flávio justamente para evitar uma troca por Tarcísio, de quem a maioria dos aliados do Palácio do Planalto tem muito mais medo.

Quando a artilharia se virar para o filho de Bolsonaro – inclusive com a lembrança dos episódios envolvendo a rachadinha e alianças suspeitas no Rio de Janeiro – saberemos ao certo se o teto do senador continuará sendo o mesmo. Isso e a infinidade de variáveis que podem surgir da CPI do INSS, do caso Master e da dinâmica política e econômica mais perto da eleição ajudarão a definir quem vencerá a disputa em 2026. Até aqui, porém, Flávio cumpriu seu objetivo de se firmar como um opositor viável.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *