PL aumenta pressão por vice de Tarcísio e aliados do governador apontam possível efeito contrário
Aliados do governador Tarcísio de Freitas (PL) avaliam que a pressão do PL para indicar o vice na chapa do chefe do Executivo paulista pode surtir efeito contrário e atrapalhar a articulação para que o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), André do Prado (PL), seja escolhido para o posto.
Essa leitura também é compartilhada por uma ala do PL. Integrantes da sigla afirmam que Tarcísio demonstrou ao longo do mandato que não reage bem e costuma não ceder quando pressionado politicamente. Por isso, defendem menos cobranças públicas pela vice e mais articulação nos bastidores para que o objetivo seja alcançado.
Nesta sexta-feira, 27, André do Prado promoverá uma homenagem a partir das 10h na Alesp ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto. A previsão de aliados é que o evento sirva para o chefe do Legislativo demonstrar a Tarcísio sua força política, com a presença de prefeitos e lideranças políticas.

O governador tomará café da manhã com Flávio Bolsonaro (PL) no Palácio dos Bandeirantes e os dois seguirão juntos para a Alesp. O roteiro foi pensado para demonstrar que os dois estão alinhados após Tarcísio ser cobrado por bolsonaristas sobre uma suposta falta de apoio à pré-candidatura presidencial do filho de Jair Bolsonaro (PL).
A presença de Flávio na Alesp também é vista como um sinal de prestígio para André do Prado e Valdemar. Anotações feitas pelo senador em uma reunião privada mostram que ele discutiu com dirigentes do PL a possibilidade do presidente da Alesp ser indicado como vice na chapa de Tarcísio.
Flávio escreveu ao lado do nome de André do Prado: “vice?”. Sobre o atual vice-governador, Felício Ramuth (PSD), ele anotou um cifrão (4). O site Metrópoles publicou que Ramuth é alvo de investigação em Andorra sob suspeita de lavagem de dinheiro – Tarcísio chamou a informação de “fofoca”.
Procurado pelo Estadão, André do Prado não quis comentar a articulação em torno de seu nome. Ele afirmou apenas que o evento na Alesp é uma homenagem a Valdemar e não tem qualquer relação com a chapa eleitoral.

“O evento não vai ser para pressionar o governador, mas obviamente o André vai fazer uma demonstração de força. Ele é um político experiente, vai lotar de prefeitos, pessoas importantes politicamente. Mostrar [para Tarcísio] ‘esse é o meu time’. Ele vai falar sem falar”, disse o deputado estadual Tenente Coimbra (PL), que defende a indicação do presidente da Alesp como vice, mas ressalta que a decisão será de Tarcísio.
A bancada estadual do PL também organiza uma carta de apoio a André do Prado. O líder do PL, deputado estadual Alex de Madureira (PL), disse que a decisão final cabe a Tarcísio. “De forma nenhuma a gente quer pressionar o governador, mas se perguntarem, gostaríamos que fosse o André”, afirmou.
O parlamentar afirma que o presidente da Alesp atuou como articulador de Tarcísio e ajudou a aprovar os principais projetos apresentados pelo governador.
“Eu acho que isso seria importante para o governador, em um segundo mandato, ter um cara do lado dele que é um baita articulador político, que conhece a estrutura da Assembleia e que vai continuar essa boa manutenção da Assembleia”, declarou Alex de Madureira.
No início da semana, Valdemar declarou que pedirá a Tarcísio para o PL indicar o vice com o argumento de que a sigla tem a maior bancada na Alesp. “Eu cedi a vice da outra eleição para o Kassab, porque a vice era nossa, agora é nossa vez”, disse o dirigente do PL em um encontro com empresários.
A cobrança não caiu bem e foi rebatida no dia seguinte por Tarcísio. “Não existe esse negócio de direito do partido”, afirmou o governador.
Segundo aliados, a decisão sobre o vice será tomada pelo próprio governador. Reservadamente, Tarcísio diz que seu desejo é reeditar a chapa com Ramuth, que passou a ser assessorado pelo marqueteiro Pablo Nobel a seu pedido. Nobel foi responsável pela campanha vitoriosa de Tarcísio em 2022, e a dobradinha deve ser reeditada neste ano.
A leitura no PL é que a tensão entre Tarcísio e o presidente do PSD, Gilberto Kassab, dificulta a recondução de Ramuth, atualmente no PSD, e aumenta as chances de André do Prado. O governador e Kassab trocaram alfinetadas públicas nas últimas semanas.
Kassab, que também é secretário de Governo de São Paulo, não esconde que seu projeto pessoal é se eleger vice-governador para que em 2030 dispute a eleição já no comando do Estado – a previsão é que, uma vez reeleito, Tarcísio deixaria o Executivo paulista no último ano de mandato para disputar um cargo nacional.
Conforme publicou o Estadão, o governador já indicou que não há possibilidade de aceitar Kassab como vice. Ele também sinalizou que poderia trabalhar para Ramuth trocar de partido, diante da hipótese de Kassab negar a legenda ao vice-governador. Nos bastidores, comenta-se que Ramuth poderia se filiar ao MDB ou ao próprio PL.
