27 de fevereiro de 2026
Politica

Outubro terá um candidato com o pai na cadeia e outro com o filho investigado; Lula já venceu, será?

A quebra de sigilos bancário e fiscal do Lulinha remete aos piores momentos da longa carreira política do pai, o presidente Lula − mensalão, Lava Jato e prisão – e desaba sobre a campanha da reeleição justamente quando o senador Flávio Bolsonaro se firma e ganha fôlego como o principal candidato da oposição. Quanta poeira, ou lama, pode sair daí?

Afinal, Lula está virtualmente reeleito? É o mais forte candidato, mas a resposta, nua e crua, é que não. Se as pesquisas até aqui capturavam o favoritismo do presidente, começam a registrar que não é bem assim e a campanha vai ser uma pedreira, ainda mais difícil do que a de 2022, que ele venceu já por margem bem apertada.

Lula tem o filho investigado, enquanto Flávio Bolsonaro tem o pai preso
Lula tem o filho investigado, enquanto Flávio Bolsonaro tem o pai preso

Sem antecedentes criminais, Lulinha tem uma relação com a Polícia Federal que não é das melhores e vai de mal a pior, depois das revelações sobre seus possíveis laços com o escândalo do INSS e das quebras dos sigilos, tanto pelo ministro do STF André Mendonça quanto pela CPMI do INSS. Ambos decidiram com base na PF.

Lulinha já foi comparado por papai Lula a Ronaldo Fenômeno, um dos maiores craques da história do futebol brasileiro, na época em que o País tentava entender como um ex-funcionário de zoológico criou uma empresa de jogos, a franzina Gamecorp, e, um ano depois, já fechava um negócio milionário com a Telemar.

“Que culpa tenho eu se meu filho é o Ronaldinho dos negócios?”, dava de ombros o presidente, então no seu primeiro mandato, com uma cara de pau que é marca tanto de Lula quanto de qualquer um que esteja em maus lençóis e sem resposta. Mas a explicação que grassou o país foi menos irônica e mais realista: o sucesso de Lulinha e da Gamecorp só aconteceu porque o pai ocupava o Planalto.

O resultado é que a eleição de 2026 terá um candidato com o pai na cadeia e outro com o filho sendo investigado, o que não elimina o fato de que os próprios candidatos têm lá seus probleminhas com a polícia e a justiça. Um, enrolado com rachadinhas, chocolates e compras esquisitas de casas chiques. O outro, ex-condenado e ex-preso, que teve seus processos anulados. Vai pegar fogo.

A diferença, neste momento, é que Flávio Bolsonaro é “a novidade” da eleição, já monta palanques nos principais colégios eleitorais, como o Rio de Janeiro e, aparentemente, deixou para trás Tarcísio, Ratinho, Caiado, Eduardo Leite e Zema na corrida para presidente.

E Lula? Com a caneta na mão, grande exibição pública, acordos internacionais e dados consistentes na economia (apesar da bomba fiscal de efeito retardado), vem liderando quase todas as pesquisas eleitorais, mas não consegue superar um obstáculo: sua aprovação como presidente é insistentemente menor que a desaprovação.

Nesse ambiente confuso, Lula finalmente arregaça as mangas para dar sustentação à sua campanha em São Paulo, repetindo a indicação do ministro Fernando Haddad para o governo e, portanto, o confronto Haddad-Tarcísio de 2022, vencido pelo atual governador.

No Rio, o PT está nas mãos do prefeito de Maricá, Washington Quaquá, e, em Minas, ninguém sabe ao certo, depois que o PT naufragou com Fernando Pimentel, como o PSDB, com Aécio Neves. E as prefeituras? Em 2024, os quatro primeiros partidos no ranking foram do Centrão, o PL de Flávio ficou em quinto e o PT amargou o nono lugar.

Assim como a eleição de outubro era incerta com Lula firmemente favorito nas pesquisas, continua sendo com Flávio Bolsonaro ganhando gás e Lula enfrentando sérios problemas, inclusive com o filho mais uma vez encrencado. Gilberto Kassab tenta se recolocar e reajustar a estratégia do Centrão, entre um e outro.

 

 

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