28 de fevereiro de 2026
Politica

Nunes diz que Bolsonaro tem ‘gênio difícil’ e relata que Valdemar afirmou ser preciso conquistá-lo

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o ex-presidente Jair Bolsonaro “tem um gênio difícil”. A declaração foi feita durante homenagem ao presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), na presença do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

“Flávio Bolsonaro, o Valdemar ama seu pai. De verdade. E seu pai é uma pessoa que a gente considera, gosta muito. Mas ele tem um gênio difícil”, declarou.

Segundo Nunes, em reunião para tratar do apoio à sua campanha à reeleição em 2024, Valdemar teria afirmado que Bolsonaro precisava ser conquistado.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o ex-presidente Jair Bolsonaro “tem um gênio difícil”.
O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), afirmou nesta sexta-feira, 27, que o ex-presidente Jair Bolsonaro “tem um gênio difícil”.

“O Valdemar falou o seguinte: o Bolsonaro tá na outra sala. Vamos lá. Você dá um abraço nele. Porque ele sempre falava assim: ‘O Bolsonaro ele é maravilhoso, mas tem de conquistar ele’”, relatou o prefeito.

No contexto das eleições municipais de 2024, Bolsonaro afirmou que Nunes não era seu “candidato dos sonhos”, embora tenha dito que manteria o acordo de aliança firmado entre eles. Na mesma ocasião, elogiou o então pré-candidato Pablo Marçal (PRTB), de quem se aproximou naquele período.

No início de junho, após entrar na disputa pelo Palácio do Anhangabaú, Marçal reuniu-se com Bolsonaro, em Brasília, e declarou que passaria a contar com o apoio do ex-presidente, que desmentiu a informação posteriormente. Segundo ele, Bolsonaro via maior afinidade ideológica em seu nome do que no de Nunes.

Em fevereiro daquele ano, Bolsonaro também afirmou preferir o deputado federal Ricardo Salles (PL-SP) como candidato à Prefeitura. De acordo com o ex-presidente, foi convencido por Valdemar a integrar a campanha de Nunes, sob o argumento de que o prefeito teria mais viabilidade eleitoral para enfrentar o deputado federal Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Nesta sexta-feira, Nunes também mencionou Boulos ao relembrar a disputa municipal de 2024. Segundo o prefeito, o adversário teria articulado uma frente política com o PT e outros partidos com o objetivo de enfraquecer sua candidatura.

“A gente tinha isso muito claro: vinha o PT com todo mundo junto e montaram a candidatura do PSB não para ganhar a eleição, mas para nos bater. Montaram a candidatura de um cara que hoje está no governo federal (Boulos, na Secretaria-Geral da Presidência) não para vencer, mas para nos bater. Então, eles criaram toda uma estratégia. E o Valdemar falava assim: ‘Não, a gente não pode desunir. Não vamos entregar a cidade para o invasor’”, afirmou.

Boulos é chamado pejorativamente por seus adversários de “invasor”, por ter atuado como coordenador do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), organização criada para lutar pelo direito à moradia que ocupa imóveis abandonados ou irregulares.

Tarcísio e Flávio juntos

Nunes participou da solenidade ao lado do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e de Flávio. O evento marcou a primeira agenda pública conjunta de Tarcísio e o senador desde o lançamento da pré-candidatura presidencial de Flávio e foi interpretado por aliados como gesto de aproximação.

Após a cerimônia, o senador anunciou que a composição da chapa em São Paulo, incluindo o candidato a vice de Tarcísio e os dois nomes ao Senado, será divulgada em 30 de março.

Durante o discurso, Tarcísio chamou Flávio de “futuro presidente do Brasil” e afirmou que ambos tiveram um “excelente papo sobre o Brasil” na manhã desta sexta-feira, em referência a encontro reservado no Palácio dos Bandeirantes antes do evento. “Flávio será capaz de unir todos num projeto convergente”, disse.

Em resposta, o senador declarou que aguardava “com muita vontade o momento de estar ao lado do governador Tarcísio” e classificou o período como “o momento mais importante das nossas vidas para os próximos 40 anos”, ao defender a construção de um projeto comum.

O café da manhã no Bandeirantes e a aparição conjunta na Alesp foram descritos por aliados como movimentos para demonstrar coordenação política e reduzir ruídos, diante de questionamentos sobre o grau de envolvimento de Tarcísio na pré-campanha presidencial de Flávio.

 

 

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