5 de março de 2026
Politica

Imóvel ofertado para salvar BRB vale R$ 100 mi a menos do que disse Ibaneis, aponta laudo do governo

O Centro Administrativo do Distrito Federal, área de 182 mil metros quadrados com 16 prédios idealizada para abrigar a sede do governo local e nunca ocupada, foi avaliado em R$ 491 milhões pelo próprio Executivo, R$ 109 milhões a menos do que anunciado pelo governador Ibaneis Rocha (MDB) em dezembro. Envolto em imbróglios jurídicos há mais de uma década, o imóvel foi oferecido pela gestão como garantia para tomar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para tentar salvar o Banco de Brasília (BRB).

O banco estatal enfrenta um rombo e é investigado por ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal e o Banco Central (BC).

O laudo técnico da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), obtido pela Coluna do Estadão, foi concluído em outubro passado, após cinco dias de inspeções feitas por engenheiros da estatal. A avaliação é válida até abril deste ano. Nesse intervalo, contudo, o governador atribuiu à Terracap uma avaliação de R$ 600 milhões do imóvel, localizado em Taguatinga, a 30 quilômetros do centro de Brasília.

Procurados, o governo do Distrito Federal e a Terracap não responderam. Por meio da Lei de Acesso à Informação, a Secretaria de Economia do Distrito Federal negou ter qualquer dado sobre o valor do imóvel.

Centrad - Centro Administrativo do Distrito Federal em Taguatinga.
Centrad – Centro Administrativo do Distrito Federal em Taguatinga.

Laudo aponta obras inacabadas, fissuras e infiltrações

O documento aponta diversas falhas nas construções, além de trechos inacabados de obras. A título de exemplo, o laudo cita “fissuras” 11 vezes e “infiltrações” nove vezes.

No principal prédio do complexo, construído para abrigar o gabinete do governador, falta revestimento até para o piso e há diversas infiltrações, segundo a estatal. “Várias paredes apresentam fissuras e trincas, inclusive no pilar que sustenta a escada no meio do vão”.

Já o Centro de Convenções, projetado para abrigar 2,5 mil pessoas, apresenta “diversas fissuras, infiltrações e trincas relevantes”. O complexo imobiliário ainda conta com uma capela, uma praça cívica, um prédio só para garagem e quatro edifícios de 16 andares cada.

BRB enfrenta rombo após caso Master

O banco estatal tenta se recuperar de um rombo bilionário após ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal e o Banco Central. Em outra frente, o BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.

Plano de Ibaneis para usar imóveis em prol do BRB começou um mês antes da queda do Master

Como mostrou a Coluna, um mês antes de o Master ser liquidado, a gestão Ibaneis iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do BRB, segundo um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal em outubro passado.

Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.

Além da oferta de imóveis como garantir para obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o banco pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.

Até 31 de março, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Do contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios.

Governo do DF ainda enfrenta falta de dinheiro em caixa

Em 2025, o governo do Distrito Federal registrou um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas, como informou o Estadão. O resultado mostra que o Executivo gastou mais do que arrecadou e piorou as contas em relação a 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões.

Em 2026, último ano do mandato do governador Ibaneis Rocha, o orçamento está sob pressão devido a despesas que não foram quitadas no ano passado e que disputarão espaço com os gastos deste ano.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *