‘Investem contra a magistratura como se ela fosse um ninho de rapinantes’, diz presidente do TRF-3
O novo presidente do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), Luís Antonio Johonsom di Salvo, que tomou posse nesta segunda, 2, lançou diante de magistrados, juristas e advogados uma vigorosa defesa da magistratura e de seus proventos, em meio à artilharia da opinião pública e às pressões do Supremo Tribunal Federal, que abriu uma ofensiva para conter o pagamento de ‘penduricalhos’ no Judiciário. “Depois da voz do coração, a razão deve ser pronunciada nestes dias assombrosos que vivemos neste tempo em que forças escancaradas e outras convenientemente disfarçadas investem contra a magistratura como se ela fosse somente um ninho de rapinantes que drena o erário público em proveito próprio.”

Para Johonsom di Salvo, ‘no Brasil de hoje temos muitos que veem na figura do juiz um malfeitor, uma espécie de ‘Shylock Shakespeariano’ cobiçoso do dinheiro público’. “É minha tarefa e de qualquer membro da magistratura repudiar esse estado de coisas, rejeitar essa indignidade”, pregou o desembargador.
Johonsom di Salvo, natural de Rio Claro, no interior de São Paulo, é bacharel em Direito pela PUC-Campinas. Foi promotor do Ministério Público de São Paulo, aprovado em 1.º lugar no concurso de 1980. Ingressou na Justiça Federal em 1992, com atuação nas varas de Ribeirão Preto e Piracicaba. Em 2002, foi promovido a desembargador do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. Nesta segunda, 2, ele assumiu o topo do TRF-3 – maior Corte federal nos Estados- para um mandato de dois anos.
Ele destacou a existência de um paredão de processos sob a guarda dos tribunais em todo o País. “Na verdade, amigas e amigos, nós somos apenas os herdeiros do caos. Não temos responsabilidade pelo descaso material com que o Judiciário foi tratado ao longo de décadas, o que criou um hiato difícil de ser preenchido. Descaso que se instalou não apenas no desaparelhamento, só tardiamente superado, mas na política remuneratória, que atualmente gera tanta polêmica e provoca a investida atroz que se engendra contra o Judiciário em geral”, declarou o desembargador.
Na avaliação do novo presidente, “uma justa política remuneratória está longe de ser uma exigência de enriquecimento sem causa, feita por pessoas egoístas”.
Reportagem em atualização.
