6 de maio de 2026
Politica

Após superestimar imóvel para salvar BRB, Ibaneis informa valor correto sem fazer mea culpa

Após superestimar o Centro Administrativo e citar R$ 600 milhões como valor do imóvel oferecido para tentar salvar o Banco de Brasília (BRB), o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), admitiu nesta terça-feira, 3, a parlamentares que o imóvel vale na verdade R$ 491 milhões, como revelou a Coluna do Estadão. Ibaneis, contudo, não fez qualquer mea culpa sobre a redução de R$ 109 milhões na avaliação.

O documento encaminhado por Ibaneis à CLDF que cita o valor de R$ 491 milhões foi assinado pelo diretor de Comercialização da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap), Júlio César de Azevedo.

O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha

Como mostrou a Coluna, o laudo da Terracap que embasa esse valor foi concluído em outubro passado, após cinco dias de inspeções feitas por engenheiros da estatal. A avaliação é válida até abril deste ano. Nesse intervalo, contudo, o governador atribuiu à Terracap uma avaliação de R$ 600 milhões do imóvel, localizado em Taguatinga, a 30 quilômetros do centro de Brasília.

O Centro Administrativo tem uma área de 182 mil metros quadrados com 16 prédios. Idealizado para abrigar a sede do governo local, o complexo nunca foi ocupado e segue envolvido em imbróglios jurídicos há mais de uma década. Este foi um dos nove imóveis oferecidos pela gestão Ibaneis como garantia para tomar um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões e tentar salvar o BRB do rombo do caso Master.

Laudo aponta obras inacabadas, fissuras e infiltrações

O documento aponta diversas falhas nas construções, além de trechos inacabados de obras. A título de exemplo, o laudo cita “fissuras” 11 vezes e “infiltrações” nove vezes.

No principal prédio do complexo, construído para abrigar o gabinete do governador, falta revestimento até para o piso e há diversas infiltrações, segundo a estatal. “Várias paredes apresentam fissuras e trincas, inclusive no pilar que sustenta a escada no meio do vão”.

Já o Centro de Convenções, projetado para abrigar 2,5 mil pessoas, apresenta “diversas fissuras, infiltrações e trincas relevantes”. O complexo imobiliário ainda conta com uma capela, uma praça cívica, um prédio só para garagem e quatro edifícios de 16 andares cada.

Consultoria Legislativa alertou que plano do governo para salvar BRB pode afetar estatais de água e iluminação pública

Nessa segunda-feira, 2, a área técnica da CLDF alertou que o plano da gestão Ibaneis para salvar o BRB do rombo do caso Master pode afetar outras duas estatais, que prestam serviços de saneamento e iluminação pública: a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) e a Companhia Energética de Brasília Iluminação Pública e Serviços (CEB Ipes).

O parecer técnico também afirmou que o BRB fez uma “agressiva” distribuição de lucros aos acionistas no ano passado, na contramão da cautela exigida pelas negociações com o Banco Master que deixaram um rombo bilionário.

BRB enfrenta rombo após caso Master

O banco estatal tenta se recuperar de um rombo bilionário após ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master, segundo a Polícia Federal e o Banco Central (BC). Em outra frente, o BRB pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.

Plano de Ibaneis para usar imóveis em prol do BRB começou um mês antes da queda do Master

Um mês antes de o Master ser liquidado, a gestão Ibaneis iniciou um plano para usar imóveis públicos e aumentar o capital do BRB, segundo um parecer da Procuradoria-Geral do Distrito Federal em outubro passado.

Na ocasião, o BC havia reprovado a compra do Master pelo banco estatal. O BRB, contudo, já tinha um rombo nas contas depois de ter comprado R$ 12,2 bilhões de créditos podres do Master.

Além da oferta de imóveis como garantia para obter um empréstimo de até R$ 6,6 bilhões para salvar o BRB, o banco pediu um aporte de até R$ 8,86 bilhões para reforçar seu capital após as perdas com o Master.

Até o próximo dia 31, o BRB precisa divulgar o seu balanço e apresentar ao BC a solução para reequilibrar o seu patrimônio. Caso contrário, pode receber uma espécie de “cartão amarelo” da autoridade monetária, com a aplicação de restrições ao banco, a exemplo do impedimento de abrir agências e expandir negócios.

 

 

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