4 de março de 2026
Politica

PF diz que Vorcaro era ‘profissional do crime’ e comandou ataques a autoridades mesmo após prisão

BRASÍLIA – A Polícia Federal disse que o banqueiro Daniel Vorcaro e seus aliados mais próximos atuaram como “profissionais do crime” por meio da cooptação de servidores públicos, do uso de um braço armado e a contratação de influenciadores para atacar autoridades públicas que atuaram contra os interesses do Banco Master, mesmo após ele ter sido preso na primeira fase da Operação Compliance Zero.

Com base nesses argumentos, a PF afirmou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça que somente a prisão preventiva seria capaz de neutralizar a ação de Vorcaro e de seus aliados.

Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixa o CDP2, Centro de Detenção Provisória em Guarulhos em novembro do ano passado
Empresário Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, deixa o CDP2, Centro de Detenção Provisória em Guarulhos em novembro do ano passado

“Verifica-se, portanto, que a atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da república, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário, buscando assim construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia”, escreveu a PF, na representação enviada ao STF.

Por isso, a Polícia Federal disse que até mesmo a integridade físicas dos investigadores da PF e do Ministério Público estaria em risco caso a organização criminosa não fosse neutralizada, por meio da prisão.

“A presente investigação criminal sobre organização criminosa estará em risco, reprise-se, risco concreto, inclusive quanto a integridade física dos servidores públicos responsáveis pela apuração (PF, MPF, STF, BCB), enquanto não houver a completa neutralização do braço armado da organização criminosa, em toda sua extensão”, escreveu a PF.

De acordo com a investigação, Vorcaro contratou influenciadores mesmo após ter sido preso em novembro, o que indica a continuidade da prática de crimes, conforme revelou o Estadão em janeiro deste ano.

“[As] ações prosseguiram mesmo após sua prisão e posterior revogação pelo TRF1, no dia 28 de novembro de 2025, uma vez que a contratação de influencers para a execução do ‘Projeto DV’ foi colocada em prática logo depois, isto é, no mês de dezembro de 2025 e tinha o objetivo de atacar a reputação do Banco Central do Brasil no mesmo período em que o Tribunal de Contas da União emitia sinais de que desfaria a liquidação extrajudicial do Banco Master, anulando assim uma decisão da Autarquia Federal”, diz a PF.

 

 

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