Vorcaro montou ‘milícia privada’ batizada de ‘A Turma’, diz PF; veja como agia
A Polícia Federal (PF) afirmou que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, faz parte de uma “organização criminosa” de “profissionais do crime”, chamada de “A Turma”, que usa violência e coação como uma “milícia privada”. O parecer embasou a prisão de Vorcaro nesta quarta-feira, 4, ordenada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Há outros três mandados de prisão — um contra o cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel — e quinze mandados de busca e apreensão.
“A atuação da organização criminosa não é pueril. Pelo contrário, são profissionais do crime, que atuam de forma coordenada, com a captação ilícita de servidores públicos dos mais altos escalões da República, ao mesmo tempo que buscam influenciar a opinião pública contra os agentes do Estado envolvidos na investigação e desmantelamento do esquema criminoso multibilionário”, afirmou a PF ao ministro André Mendonça, reforçando que servidores da PF, do STF, do Ministério Público Federal e do Banco Central estavam em “risco concreto”.

Faziam parte do grupo Vorcaro, Zettel, o policial aposentado Marilson Silva e Luiz Phillipi Mourão, a quem a PF chama de “sicário”, ou seja, assassino de aluguel. Todos foram presos.
Ainda segundo a corporação, o grupo conhecido como “A Turma” “buscava construir um cenário favorável de enfraquecimento do Estado e permanência da delinquência alcançada, mesmo que para isso tenham que se utilizar de atos de violência física e coação por meio de sua milícia (leia-se a “Turma”)”.
Para os desafetos de Vorcaro, a resposta do grupo criminoso era “rápida, premeditada e violenta, com o uso reiterado de coação e grave ameaça por uma espécie de milícia privada”, continuou a Polícia Federal.
Jornalista era um dos alvos de ‘A Turma’
Um dos alvos seria o jornalista Lauro Jardim, do jornal O Globo. Na mensagem, Vorcaro afirmou: “Esse lauro quero mandar dar um pau nele. Quebrar todos os dentes. Num assalto”.
O jornal O Globo repudiou, em nota, a iniciativa criminosa. “A ação, como destacado pelo ministro André Mendonça, visava ‘calar a voz da imprensa’, pilar fundamental da democracia. Os envolvidos nessa trama criminosa devem ser investigados e punidos com o rigor da lei. O GLOBO e seus jornalistas não se intimidarão com ameaças e seguirão acompanhando o caso e trazendo luz às informações de interesse público”.
