Mendonça cobra BC sobre ex-dirigentes suspeitos de receber dinheiro para ajudar Vorcaro
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), cobrou nesta quarta-feira, 4, que o Banco Central (BC) apure as “graves” condutas de dois ex-dirigentes do BC que atuaram como “consultores informais” e receberam dinheiro do banqueiro Daniel Vorcaro, segundo a Polícia Federal (PF). Paulo Sérgio Neves de Souza, ex-diretor de Fiscalização do BC, e Belline Santana, ex-chefe do Departamento de Supervisão Bancária do BC, começaram a usar tornozeleira eletrônica na operação desta quarta-feira, que prendeu Vorcaro.
Os dois servidores já estavam afastados de suas funções por causa de uma investigação interna da autoridade monetária. Procurados, os funcionários e o BC não responderam.
Mendonça deu 30 dias para o BC informar as providências adotadas em relação aos dois servidores. Depois disso, o Banco Central deve avisar ao STF o andamento das apurações disciplinares a cada seis meses. O ministro cobrou que a autoridade monetária investigue as “graves condutas ilícitas identificadas no âmbito deste procedimento investigativo enquanto, na condição de servidores públicos, desempenhavam funções no Departamento de Supervisão Bancária do BC”.

“Mesmo sendo servidor do BC, Paulo Sérgio torna-se uma espécie de empregado/consultor de Vorcaro para assuntos de interesse exclusivamente privado deste último”, escreveu Mendonça na decisão. O magistrado acrescentou:
“Nas mensagens de WhatsApp trocadas entre Daniel Vorcaro e Belinne Santana, também servidor do BC, percebe-se o mesmo tipo de relação que aquela verificada com Paulo Sérgio”.
Ainda segundo a decisão que autorizou a operação da PF nesta quarta-feira, Vorcaro “coordenou a articulação de mecanismos destinados à formalização de contratos simulados de prestação de serviços, por intermédio de empresa de consultoria”. Esses contratos, seguiu o ministro, eram usados para “justificar transferências financeiras efetuadas em favor dos servidores públicos vinculados ao BC, à título de contraprestação pela ‘assessoria’ privada que forneciam”.
Vorcaro pedia orientações a dirigentes do BC, diz PF
As investigações apontam que Vorcaro pedia orientações estratégicas sobre a condução de reuniões institucionais, elaboração de documentos e abordagem a temas sensíveis perante o Banco Central. Em uma mensagem, Vorcaro parabenizou Paulo Sérgio por ter sido nomeado para um cargo de chefia no órgão.
“Em troca de mensagens por WhatsApp transcritas, Daniel Vorcaro recebe de Paulo Sérgio Neves de Souza imagem contendo a Portaria de sua nomeação para o cargo de Chefe-Adjunto de Supervisão Bancária no Bacen. Em seguida, Vorcaro congratula o servidor recém nomeado para a nova função com a seguinte mensagem: “Parabéns”, seguiu a decisão do STF.
O ex-diretor Paulo Sérgio Neves de Souza teria repassado informações do Banco Central a Vorcaro sobre movimentações financeiras consideradas suspeitas pelo órgão regulador, de acordo com o ministro do Supremo.
“Em algumas situações, o investigado chegou a alertar previamente o controlador do banco Master acerca de movimentações financeiras que haviam sido identificadas pelos sistema de monitoramento da autarquia, permitindo que fossem adotadas medidas para mitigar questionamentos regulatórios.”
Ministro cita ‘forte indício’ de que Vorcaro bancou viagem de ex-dirigentes à Disney
Além dos pagamentos, há “forte indício” de que Vorcaro o ajudou em uma viagem para a Disney, em Orlando, nos Estados Unidos.
“Além de tais pagamentos, outro forte indício de que Vorcaro corrompia Paulo Sérgio pode ser identificado a partir de troca de mensagens realizadas por Vorcaro, ao saber, por meio de mensagem de whatsapp do próprio Paulo Sérgio, de uma viagem que o referido servidor do Bacen faria aos parques de diversão localizados em Orlando (EUA), dentre eles Parques da Disney e da Universal. Vorcaro chega a comentar em mensagem reproduzida na fl. 54 que precisaria ‘arrumar guia para essas pessoas”.
