Jorge Messias pressiona Itamaraty para resgatar advogada da AGU no Catar e incomoda diplomatas
O ministro da Advocacia-Geral da União (AGU), Jorge Messias, pressiona o Itamaraty a buscar uma rota de fuga para uma advogada do órgão, Roberta Couto Ramos, que está presa em Doha, no Catar.
Em meio à escalada da guerra dos Estados Unidos e Israel no Oriente Médio, o espaço aéreo da região está fechado, e o Ministério das Relações Exteriores não tem o que fazer no momento, apesar das pressões de brasileiros que estão no local.
A advogada, que estava apenas fazendo um voo de escala no país, ficou presa ao lado do marido e vem publicando nas redes sociais reclamações direcionadas ao Itamaraty, cobrando um plano de resgate aos brasileiros retidos na região conflagrada.
Procurada, a AGU disse que “a informação não procede” e que “não houve qualquer pressão do ministro Jorge Messias, ou de qualquer dirigente da Advocacia-Geral da União, junto ao Ministério das Relações Exteriores para “resolver a situação” da advogada federal Roberta Couto Ramos, que encontra no Catar com seu cônjuge”.
Já o Ministério das Relações Exteriores afirmou que, “além dos contatos feitos pelas Embaixadas, o Ministro Mauro Vieira está diretamente envolvido em contatos para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito e de férias na região, sobretudo no Catar e nos Emirados Árabes Unidos”.
Roberta pediu, nas redes sociais, para que o governo trate a situação dos brasileiros no Oriente Médio “com a seriedade que o caso merece”. Segundo a servidora da AGU, a irmã dela ligou para o Itamaraty e teria recebido a resposta de que “o Itamaraty não é agência de turismo”. Ela reclamou, ainda, que não há plano de evacuação “por terra ou via avião da FAB, enfim, estamos largados”, disse Roberta.
“Esperando o quê? A escalada do conflito e vivenciar uma situação de perigo extremo?”, escreveu.
A AGU divulgou um comunicado nesta terça-feira, 3, a pedido de Messias, dizendo que o órgão “está prestando assistência integral” a Roberta, “nossa advogada”, e que mantém contato direto com a servidora, com a embaixada brasileira em Doha, e com o Ministério das Relações Exteriores.
Após o comunicado, a advogada presa no Catar foi novamente às redes sociais agradecer Messias pela ajuda: “obrigada @jorgemessias pelo apoio institucional nesse momento tão sensível”, escreveu.
Veja, abaixo, nota enviada pela AGU:
“A informação não procede. Não houve qualquer pressão do ministro Jorge Messias, ou de qualquer dirigente da Advocacia-Geral da União (AGU), junto ao Ministério das Relações Exteriores (MRE) para “resolver a situação” da advogada federal Roberta Couto Ramos, que encontra no Catar com seu cônjuge. Como expressamente informado em nota veiculada pela AGU nesta terça-feira (03/03), a Assessoria Internacional da Instituição foi orientada a prestar assistência e orientação à advogada, membro da Advocacia-Geral. Nesse sentido, fez contato com Roberta Ramos e buscou, junto ao MRE, informações com o propósito de prestar orientações à advogada sobre aspectos como recomendações gerais de segurança e contatos com o plantão consular da Embaixada local”.
Leia a nota do Ministério das Relações Exteriores:
“O Ministério das Relações Exteriores, por intermédio das Embaixadas do Brasil no Oriente Médio, monitora a situação, em contato com as comunidades e com turistas brasileiros nos diversos países da região, e com as autoridades locais de cada país.
As Embaixadas permanecem à disposição para prestar assistência consular aos nacionais, tendo em conta as determinações da legislação brasileira e internacional e a realidade de cada país, e disponibilizam informações por meio de suas redes sociais.
Reitera-se que este Ministério emitiu alerta consular sobre a situação no Oriente Médio, com informações e recomendações sobre como proceder no âmbito da presente escalada de tensões.
Ressalte-se que, além dos contatos feitos pelas Embaixadas, o Ministro Mauro Vieira está diretamente envolvido em contatos para resolver a situação de turistas e passageiros em trânsito e de férias na região, sobretudo no Catar e nos Emirados Árabes Unidos.
Veja-se, a propósito, o perfil deste Ministério no “X”, onde há relatos das duas conversas do Ministro Mauro Vieira com o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, bem como de contatos com os chanceleres da Jordânia, do Kuwait e do Bahrein.
No que tange ao caso concreto abordado, informa-se que a brasileira fez contato telefônico com o MRE e recebe a assistência consular devida, a exemplo de todos os brasileiros que procuraram essa assistência”.

