6 de março de 2026
Politica

Sai Toffoli e entra Moraes no centro do alvo da PF, do caso Master e da possível delação de Vorcaro

Troca-troca no Supremo: sai Dias Toffoli e entra Alexandre de Moraes no centro do alvo, ou “na mosca”, no escândalo do Master, não apenas porque o contrato do banco com o escritório da família de Moraes envolve R$ 130 milhões, quantia muito superior à do tal resort do qual Toffoli era sócio, mas principalmente porque as relações, trocas de mensagens e suspeitas são muito mais graves e robustas

O último tiro na mosca contra Moraes foi dado pela PF, usando como armas os celulares e, como munição, as trocas de mensagens de Daniel Vorcaro, o banqueiro onipresente, agora preso como bandido. Se o ministro já devia explicações sobre os R$ 130 milhões do Master, ele passa a ser cobrado sobre qual era o seu papel, ou a expectativa de Vorcaro sobre ele, nesse contrato.

Como revelou a jornalista Malu Gaspar, ministro e banqueiro já se encontravam e trocavam telefonemas e mensagens havia tempos e, horas antes de ser preso pela primeira vez, em novembro, Vorcaro disse a Moraes, por Whatsapp, que estava “numa correria para tentar salvar” e indaga, ou cobra: “Alguma novidade? Conseguiu ter notícia ou bloquear?”

Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF envoltos em polêmicas com o Banco Master
Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, ministros do STF envoltos em polêmicas com o Banco Master

Não é uma prova concreta, mas é razoável supor que o quase-preso estava pedindo socorro, informações sigilosas e até mesmo a intervenção de um ministro do Supremo cuja família vinha sendo regiamente remunerada por ele. Bloquear o quê? A ordem de prisão judicial?

Moraes poderia ter respondido algo como “não entendi”, “do que você está falando?”. Ele, porém, postou três mensagens rapidamente, sob a técnica da visualização única (depois de lido, o texto se autodestrói). Assim, ele aumentou tanto as dúvidas quanto a impressão de um diálogo altamente comprometedor. Neste caso, qualquer dúvida não é pró-réu, ops!, pró-interlocutor.

Ao repassar as informações que chegam à mídia – e, portanto, à sociedade −, defensores do STF acusam a PF de “vazamentos seletivos” que indicariam uma estratégia: soltar as bombas contra os dois ministros, mas esgotar primeiro as de Toffoli para então centrar fogo em Moraes, o alvo da vez.

Toffoli se apavorou e botou os pés pelas mãos. Puxou o caso para si e tomou decisões esdrúxulas a seu favor e contra a PF, até ser compelido pelos colegas a renunciar à relatoria. Assim, ele continua no alvo, mas abriu espaço na “mosca” para Moraes, que está sob o tiroteio após o contrato milionário, as relações com a pessoa errada na hora errada e a terrível sensação de que Vorcaro não pagava por serviços de advocacia, mas para ter um aliado na cúpula da Justiça. Mais um anti-herói no Brasil?

 

 

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