A crise ‘financeira’ atingiu o coração da política e do STF, mas ainda não chegou aos bancos
Por uma dessas jabuticabas tão brasileiras, o maior “escândalo financeiro” do País”, como classificou o ministro Fernando Haddad, não fez (ainda?) nem cócegas em bancos, banqueiros e Faria Lima, mas atingiu o coração da política em ano eleitoral e o fígado do Supremo na sequência da condenação de generais e um ex-presidente. Assim, o escândalo Master ainda vai chegar ao sistema financeiro, mas já jogou pesadas nuvens sobre o futuro, não só do STF, mas do Brasil.
A nota do ministro Alexandre de Moraes mais confunde do que esclarece e ajuda a exacerbar a crise entre STF, PF e PGR e confirma que o Supremo está com três ministros a menos. Em vez de onze, são oito, o que é número par e não permite desempate. Toffoli está fora de combate, Xandão está gravemente ferido e o AGU Jorge Messias aguarda atrás da trincheira, sabe-se lá até quando. Há clima para a votação no Senado? E para a sua chegada à corte?
Um bom teste do Supremo será no próximo dia 13, quando a segunda turma julgará se mantém ou não a prisão de Vorcaro, o que já jogou a PF e a PGR uma contra a outra e agora vai jogar luzes sobre a guerra interna do Supremo, apesar de a votação ser no plenário virtual. Se a turma seguir a PF, será unânime para deixar o ex-banqueiro na Papuda. Se preferir a PGR, ele vai voltar a usar uma vasta cabeleira, fora dela – o que não é o mais provável.
Integram a turma André Mendonça, novo relator do caso Master, Nunes Marques, também indicado por Bolsonaro, Gilmar Mendes, o decano que se joga em todas as fogueiras, Dias Toffoli, obrigado a renunciar à relatoria do caso, e Luiz Fux, que continua calado. As principais dúvidas: Toffoli vai ter o descaramento de votar? E Fux, será o fiel da balança?
A guerra interna e as decisões sobre o Master no Supremo estão envolvidas numa enorme nuvem de fumaça em que se misturam bilhões de reais, ou dólares, jatinhos e resorts, almoços e jantares em residências oficiais e, como não poderia faltar, pitadas do escândalo Epstein nos EUA. Vorcaro, o Epstein brasileiro, gaba-se com a própria namorada de botar “300 garotas de programa” como isca para seus múltiplos alvos.
A lista de envolvidos com Vorcaro já não é tão sigilosa, mas continua crescendo e há de tudo. Ministros do STF, ministros do governo, ex-ministros, governadores, senadores, deputados, advogados (aos $ milhões). Na fase seguinte, a expectativa é que os bancos deixem de apenas planejar mudanças de autodefesa em créditos, fundos e FGC e passem a entrar na linha de fogo. Se falar que as investigações podem chegar ao PCC. Tomara que não.
