Haddad vai antecipar saída da Fazenda para preparar campanha contra Tarcísio e montar palanque em SP
BRASÍLIA – O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, já começou a afiar o discurso para enfrentar o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), na disputa de outubro, quando concorrerá ao Palácio dos Bandeirantes. Ele decidiu antecipar em alguns dias a saída do governo – do fim do mês para a próxima semana – e, conforme acertado, o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, assumirá o seu lugar.
Haddad acompanharia o presidente Luiz Inácio Lula da Silva na reunião que ele teria com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na semana que vem. O encontro, porém, foi adiado para abril por causa do conflito no Oriente Médio, embora o governo americano ainda não tenha confirmado uma nova data.
O prazo para desincompatibilização do cargo para a disputa eleitoral é no início de abril. Dos 38 ministros, a previsão é que aproximadamente 20 deixem o comando das pastas para concorrer nas eleições.

A última pesquisa Datafolha, divulgada no sábado,7, acendeu o sinal de alerta no PT e no Palácio do Planalto. O levantamento mostrou não apenas o avanço da candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL) à sucessão de Lula como Tarcísio praticamente isolado na corrida em São Paulo.
Haddad aparece em segundo lugar, mas bem atrás do governador. Em um cenário de segundo turno, Tarcísio venceria todos os adversários, de acordo com o Datafolha.
Para o ministro da Fazenda, os problemas de São Paulo não aparecem porque o governador vem sendo “blindado”.
“Eu tenho recebido informação, inclusive da base, do magistério e da polícia, que está demonstrando um grau de insatisfação bastante grande. Mas eu não sei até que ponto é possível explorar isso (na campanha) por causa da blindagem que se faz ao Tarcísio. Não se fala do governo, não se fala de realização, não se fala de nada”, afirmou Haddad, na semana passada, em entrevista a José Luiz Datena, que apresenta um programa na TV Brasil e na Rádio Nacional.
Como mostrou o Estadão, Haddad procura agora uma espécie de “novo Alckmin” para vice, alguém com perfil de centro e bom relacionamento com o empresariado para fazer dobradinha com ele.
