11 de março de 2026
Politica

Delegado da PF que indiciou Bolsonaro é nomeado como assessor no gabinete de Moraes no STF

BRASÍLIA – O delegado Fábio Alvarez Shor, da Polícia Federal (PF), foi nomeado na última segunda-feira, 9, como assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes. A portaria de nomeação foi assinada pelo presidente da Corte, Edson Fachin, e publicada no Diário Oficial da União (DOU).

Moraes solicitou no início do mês a transferência de Shor da PF para o seu gabinete. A confirmação dependia apenas o trâmite burocrático entre as duas instituições. O delegado foi escolhido por causa da sua atuação em inquéritos relatados por Moraes, o que os aproximou profissionalmente.

Ministro foi relator de diversos inquéritos sob responsabilidade de Fábio Shor.
Ministro foi relator de diversos inquéritos sob responsabilidade de Fábio Shor.

Shor foi responsável pela investigação da tentativa de golpe de Estado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados no governo passado. Outro caso em que ele atuou foi o inquérito dos atos golpistas de 8 de Janeiro. A atuação do delegado fez com que ele se tornasse alvo constante de ataques de figuras da direita, como o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro que o ameaçou em transmissão ao vivo.

Em live publicada no dia 20 de julho de 2025, Eduardo insinuou que Shor poderia ser alvo de sanções dos Estados Unidos e perder o visto por causa das investigações que conduzia. O delegado pediu o indiciamento de Bolsonaro por liderar a organização criminosa que planejou o golpe.

“Você da Polícia Federal que está me vendo, um forte abraço. Você também, olha lá, a depender de quem for, já está sem visto, né. Isso é outra coisa que a gente tem falar. Vou ter que baixar a imagem do Fábio Shor”, disse.

Shor também foi constantemente criticado por advogados que atuaram no julgamento do golpe de Estado, especialmente Jeffrey Chiquini com quem Moraes protagonizou diversos embates durante a fase de instrução das ações penais.

Chiquini acusou Shor diversas vezes de ter produzido um relatório com informações falsas sobre o ex-assessor da Presidência Filipe Martins.

Além dos inquéritos sobre as tentativas de golpe, Shor atuou nas investigações da fraude no cartão de vacinação do ex-presidente Bolsonaro e do escândalo das joias sauditas, revelado pelo Estadão. Em todas essas investigações ele trabalhou sob supervisão de Moraes como relator.

O delegado e sua equipe foram responsável por identificar, por exemplo, que Moraes havia sido monitorado por golpistas com o objetivo de assassiná-lo.

Shor é especialista em contrainteligência e, em fevereiro do ano passado, passou a chefiar a Divisão de Investigações e Operações de Contrainteligência da PF. No STF, é possível que ele atue como assessor de Moraes e possa auxiliá-lo em inquéritos sob sua relatoria.

 

 

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