29 de março de 2026
Politica

Moraes autoriza visita de assessor do governo Trump a Bolsonaro na prisão

O ministro Alexandre de Moraes autorizou na noite desta terça, 10, que Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, visite o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na Papudinha na próxima quarta, 18.

A defesa de Bolsonaro havia pedido mais cedo autorização ao ministro para que o ex-presidente recebesse Beattie na unidade prisional.

Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, atuou no setor privado como empresário de mídia e estrategista político e já trabalhou na Casa Branca como redator de discursos
Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, atuou no setor privado como empresário de mídia e estrategista político e já trabalhou na Casa Branca como redator de discursos

“O visitante cumprirá agenda oficial no Brasil e estará em Brasília por curto período, circunstância que acaba por inviabilizar a realização da visita nas datas ordinárias atualmente previstas para visitação (quartas-feiras e sábados)”, alegou no pedido a defesa do ex-presidente, que cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado.

A defesa solicitou ao ministro autorização excepcional para que a visita ocorresse no dia 16 de março, no período da tarde, ou no dia 17 de março, pela manhã ou no início da tarde, “observadas todas as regras de segurança e controle do estabelecimento prisional”.

Moraes, porém, rejeitou as datas propostas afirmando que “não há previsão legal ou excepcionalidade para realizar alteração específica de dia de visitação”, destacando que os visitantes devem se adequar ao regime do estabelecimento prisional, “e não o contrário”, a fim de preservar a organização administrativa e a segurança. Com isso, fixou a visita para o dia 18.

“Diante do exposto, requer-se a autorização excepcional da visita do Sr. Darren Beattie, bem como a autorização para que o visitante esteja acompanhado de intérprete, a fim de viabilizar a adequada comunicação durante a visita, considerando que o Peticionário (Bolsonaro) não possui plena fluência na língua inglesa”, descreve o pedido dos advogados Celso Sanchez Vilardi, Paulo Amador da Cunha Bueno e Daniel Bettamio Tesser.

No dia 2 de março, ao negar o pedido de prisão domiciliar ao ex-presidente, Moraes afirmou que Jair Bolsonaro “tem recebido grande quantidade de visitas de deputados federais, senadores, governadores e outras figuras públicas, o que comprova intensa atividade política e reforça os atestados médicos que apontam sua boa condição de saúde física e mental”.

As visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro precisam receber o aval de Moraes, relator da ação penal que levou Bolsonaro à cadeia
As visitas ao ex-presidente Jair Bolsonaro precisam receber o aval de Moraes, relator da ação penal que levou Bolsonaro à cadeia

Segundo o perfil de Beattie no site do Departamento de Estado dos EUA, o assessor é “apaixonado por promover ativamente a liberdade de expressão como ferramenta diplomática e por utilizar as conquistas culturais excepcionais dos Estados Unidos nas artes, música e academia para promover a segurança, a força e a prosperidade do povo americano”.

Nomeado no mês passado para o cargo, Beattie é responsável por conduzir as políticas e ações de Washington em relação a Brasília. O assessor é um crítico do governo Lula e da atuação do ministro Alexandre de Moraes no processo sobre a trama golpista.

Além da função ligada ao Brasil, ele também é chefe interino do Departamento de Assuntos Educacionais e Culturais, e também é presidente do Instituto de Paz dos EUA, entidade nacional financiada pelo Congresso e encarregada de atuar na resolução de conflitos globais.

Em julho de 2025, Beattie afirmou nas redes sociais que Moraes é “o principal arquiteto do complexo de censura e perseguição dirigido contra Bolsonaro”. Á época, o Itamaraty convocou o principal diplomata dos EUA em Brasília para explicar os comentários.

 

 

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