11 de março de 2026
Politica

Credores negociam conversão de R$ 16 bi de dívida e podem virar sócios da Raízen

Credores e acionistas da Raízen, joint venture entre a Shell e a Cosan, estão negociando uma conversão de R$ 16 bilhões de dívida em capital e, se chegarem a um acordo, devem se tornar sócios da empresa, conforme pessoas próximas às conversas.

Os controladores também vão fazer um aporte de capital: R$ 3,5 bilhões virão da Shell e R$ 500 milhões, de Rubens Ometto, por meio da holding Aguassanta.

Caso o plano de reestruturação vingue, a expectativa é de que a dívida da Raízen seja cortada expressivamente. Hoje está em R$ 65 bilhões.

Unidade da Raizen em Piracicaba destinada a produzir o etanol de segunda geração, um biocombustível feito à partir de resíduos descartados no processo de produção do etanol comum
Unidade da Raizen em Piracicaba destinada a produzir o etanol de segunda geração, um biocombustível feito à partir de resíduos descartados no processo de produção do etanol comum

Sócio da Cosan, o BTG não participa do aporte neste momento. Foi a maneira de convencer os credores bancários a aceitar a negociação.

A Raízen está protocolando na madrugada desta quarta-feira, 11, um pedido de recuperação extrajudicial, quando a empresa pede uma proteção de 90 dias para não pagar suas obrigações.

É o maior processo extrajudicial desse tipo já visto no Brasil. Oi e Odebrecht tiveram débitos maiores reestruturados, mas foram processos feitos já no âmbito judicial.

Conforme apurou a coluna, está fora da mesa a separação de energia e distribuição de combustíveis — os dois principais negócios da Raízen — em companhias distintas, mas as conversas podem ser retomadas no futuro se houver sentido estratégico.

Ainda não é possível saber como vai ficar o desenho final do controle da Raízen, nem se o BTG vai sair diluído ou se vai acabar fazendo alguma capitalização no final do processo.

Shell

Havia uma expectativa dos bancos credores, da Cosan e até do Palácio do Planalto de que a Shell resgatasse a Raízen, mas não vingou.

A Shell estava disposta a colocar apenas R$ 3,5 bilhões na companhia, e isso era considerado uma “gota no oceano”. Nas discussões iniciais, a pressão era para que a Shell injetasse R$ 20 bilhões na empresa.

Pessoas próximas às discussões afirmam que a Shell não coloca hoje energia e distribuição de combustíveis em suas prioridades. O foco da empresa é extração de petróleo e retorno aos seus acionistas.

Chegou a ocorrer uma reunião no Palácio do Planalto da qual participaram Ometto, representantes da Shell, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

O objetivo era tentar que a Shell entendesse a importância do mercado brasileiro, mas a companhia estrangeira foi inflexível.

As dívidas estão equilibradas entre bondholders estrangeiros e os maiores bancos nacionais e internacionais. São cerca de 20 bancos credores, incluindo Itaú, Santander, Bradesco, Bank of America, Citibank, BNP Paribas etc. Praticamente só não está o BTG, que não é credor, mas sócio da Cosan.

Em apenas uma semana de negociações, o time de advogados comandado pelo escritório E.Munhoz conseguiu a aprovação de detentores de 40% da dívida, incluindo praticamente todos os bancos. Falta reunir, porém, os bondholders, cujos detentores estão bastante diluídos.

Para aprovar o plano de reestruturação, é necessário convencer 50% dos credores mais 1.

 

 

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