Crise de confiança: maioria dos eleitores não acredita em honestidade de Lula e Flávio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL), principais adversários na corrida presidencial deste ano até o momento, enfrentam abismo de desconfiança ética junto ao eleitorado.
Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira, 11, mostra um eleitorado cético em relação à honestidade dos dois pré-candidatos.
De acordo com o levantamento, a descrença na integridade de Lula e Flávio é ainda pior entre eleitores independentes, justamente onde eles terão que avançar para saírem do atual empate técnico que estão nas intenções de voto de segundo turno. O grupo que não se identifica com nenhum dos polos ideológicos é o que decidirá o pleito.

A crise de credibilidade em números
Entre os eleitores independentes, 75% dos discordam que o presidente seja honesto. Flávio Bolsonaro alcança 70% de percepção negativa.
Embora ambos estejam em patamares críticos, Flávio Bolsonaro sustenta uma vantagem numérica decimal no eleitorado geral – 26% consideram que ele é honesto contra 23% de Lula).
A constatação preocupa os dois núcleos políticos, especialmente diante do escândalo do Banco Master. A avaliação é de que o caso tem potencial para ampliar esse vácuo de confiança do eleitorado.
O caso Master envolve investigações sobre fraudes financeiras e supostas ligações com figuras do Judiciário, do Legislativo e também Executivo.
Como o banqueiro Daniel Vorcaro construiu relacionamento com integrantes da esquerda, da direita e do Centrão, o ambiente de desconfiança tende a aumentar.
Enquanto o governo tenta blindar a imagem do presidente, a percepção popular de corrupção sistêmica iguala os adversários por baixo.
Raio-X dos Candidatos – Forças e Fraquezas
Abaixo, os pontos de maior destaque e as maiores vulnerabilidades apontadas pelo eleitorado independente:
Lula
- Ponto Forte: Liderança e social.
Lula ainda é visto como um “líder forte” (43% de concordância entre independentes) e mantém uma imagem de maior preocupação com as pessoas (32%) em comparação ao adversário.
- Ponto Fraco: Ética e radicalismo.
Além da rejeição de 75% em honestidade, Lula é visto como “radical” por 39% dos independentes, dificultando a conquista do centro moderado.
Flávio Bolsonaro
- Ponto Forte: Resiliência, ética e moderação relativa.
Flávio consegue índices de “desonestidade” ligeiramente menores que os de Lula e é percebido como menos radical (embora a diferença seja mínima).
- Ponto Fraco: Distanciamento Social.
O senador falha na percepção de empatia. Apenas 18% dos independentes acreditam que ele se preocupa com as pessoas, e apenas 20% o consideram “sensível”.
A Genial/Quaest entrevistou 2.004 brasileiros em domicílios entre os dias 6 e 9 de março. A margem de erro é de dois pontos porcentuais e o nível de confiança é de 95%. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-05809/2026.
