Erika Hilton avalia representação no Conselho de Ética contra deputados por transfobia
A deputada Erika Hilton (PSOL-SP), eleita primeira mulher trans a presidir a Comissão da Mulher da Câmara, avalia entrar com representação no Conselho de Ética contra parlamentares que fizeram falas transfóbicas na primeira reunião da comissão, que aconteceu nesta quarta-feira, 11.
Ela afirmou à Coluna do Estadão ter se sentido ofendida durante reunião na qual foi eleita presidente, e que as falas de alguns colegas extrapolaram a lei.
“Não é uma questão de interpretação, é uma questão de legislação. Quando o limite da lei é extrapolado é preciso acionar. Estamos estudando quais medidas tomaremos”, disse a parlamentar.
O deputado Delegado Éder Mauro (PL-PA) pediu a palavra para dizer que quem tem que defender mulheres são os homens, ouvindo risos e protestos de seus pares, e afirmou que “mulher que não é mulher” não deveria presidir a comissão.
“Na comissão das mulheres, quem tem que defender mulher somos nós, homens que estamos aqui, mas quem tem que presidir a comissão tem que ser uma mulher, não pode estar na mesa como presidente uma mulher que não é mulher”, disse o parlamentar.
STF criminalizou transfobia em decisão de 2019
A deputada Clarissa Tércio (PP-PE) também fez críticas ao fato de a comissão ser presidida por uma mulher trans.
“Como posso ser representada por uma pessoa que não entende o que eu passo? Que nunca gerou, que nunca amamentou, que nunca menstruou e que não sabe o que é saúde da mulher?. O maior absurdo é ver mulheres biológicas concordando com isso”.
Em junho de 2019, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu criminalizar a homofobia e a transfobia, considerando serem crimes assim como o racismo.

