A festa em Brasília que juntou de Arruda a Agnelo e expôs declínio de Ibaneis
Uma festa em Brasília na noite desse sábado, 14, reuniu os maiores empresários da cidade e lideranças políticas da esquerda à direita, incluindo o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). O evento comemorou os 50 anos do grupo empresarial que leva o nome do ex-governador Paulo Octávio. Cinco ex-governadores estavam presentes, de José Roberto Arruda (PSD) a Agnelo Queiroz (PT). Mas foi uma ausência que chamou atenção e virou assunto nas rodas de conversa.
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), que chegou a ser anunciado, mas não compareceu, expondo seu declínio político em meio ao caso Master. Quem circulou pelo evento foi seu advogado, Carlos de Almeida Castro, o Kakay. A vice-governadora, Celina Leão (PP), tampouco passou por lá.
Procurado, o governador disse que teve um problema de saúde na família e parabenizou o anfitrião do jantar: “Tive um problema de saúde com meu filho, mas fiz questão de parabenizar Paulo Octávio. Ele é um grande empresário e um apaixonado por Brasília”, disse Ibaneis à Coluna do Estadão. Sua vice mandara avisar que estava num retiro.

Escândalo do Banco Master e expectativa de delação de Vorcaro também marcaram jantar
Apesar da clara preocupação entre os presentes de não contaminar ou ofuscar o evento com os comentários paralelos, feitos com discrição, dois assuntos dominavam as rodas de conversa entre políticos e advogados presentes: a eventual delação de dono do Master, Daniel Vorcaro, e o impacto político das revelações com rearranjos no tabuleiro eleitoral.
Uma das perguntas frequentes era se o governador do DF seria citado em uma eventual delação premiada do dono do Master, que está preso. E ausência de Ibaneis propiciou mais comentários de seus adversários.
Vorcaro disse à Polícia Federal (PF) que conversou algumas vezes com Ibaneis Rocha sobre a venda do Master ao Banco de Brasília (BRB). O banqueiro afirmou ainda que o governador já esteve pessoalmente em sua casa. O governador nega ter tratado do tema com o empresário. Segundo a PF e o Banco Central, o BRB comprou R$ 12,2 bilhões de ativos podres do Master.
Como mostrou o Estadão, Ibaneis assinou, em nome de seu escritório de advocacia, a venda de R$ 10 milhões em honorários para um fundo ligado à Reag Investimentos, investigada no caso Master, em setembro de 2023, quando já governava o Distrito Federal. Alguns dias antes, ele havia dito que estava fora do escritório desde 2018.
O governador tem evitado dar explicações sobre o caso. Recentemente, recusou um convite para falar à Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. Ele alegou que não tem “conhecimento técnico sobre o sistema financeiro” e não participou das operações entre BRB e Master. Antes da liquidação do Master, o governador defendeu o negócio publicamente.
Ex-governador foi questionado sobre candidatura
Seis ex-chefes do Executivo local estavam presentes. Além do dono do Grupo Paulo Octávio, José Roberto Arruda, Agnelo Queiroz, Rogério Rosso, Maria Abadia e Ronaldo Costa Couto.
O anfitrião, por óbvio, foi o personagem mais cumprimentado, pelos motivos do próprio evento. Mas o ex-governador José Roberto Arruda, recém-filiado ao PSD, foi abordado a toda hora, especialmente pelos trabalhadores que estavam de serviço na festa, como seguranças, garçons e ajudantes.
Afastado da cena política há mais de 15 anos, em meio ao escândalo da Caixa de Pandora, circulou confirmando sua candidatura ao governo do DF. Nos diálogos, reforçava sua convicção de que não está mais inelegível.
Arruda está fora de cargos públicos desde 2010, quando foi preso e afastado do governo do Distrito Federal. Depois, foi condenado por improbidade administrativa. Ele alega que, de acordo com uma lei de 2025 que flexibilizou a Lei da Ficha Limpa, o prazo de inelegibilidade terminaria em julho de 2026, antes da eleição.
“Sou candidato e estou elegível”, disse Arruda diversas vezes a quem lhe perguntava sobre a campanha deste ano. O caso, contudo, certamente será questionado à Justiça Eleitoral.
Arruda aparece empatado com a vice-governadora nas pesquisas e conta com apoio informal do PL para a campanha. A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro defende ajudar a candidatura de Celina, mas o ex-governador se mostra confiante de que terá apoio dos integrantes do PL envolvidos em sua campanha, mesmo se for informalmente.
“Se o partido é liberal, como diz o nome, eu combinei que fico no PL, mas podendo apoiar o meu candidato, o Arruda”, disse o deputado Alberto Fraga (PL-DF) à Coluna.
Leia o comunicado de José Roberto Arruda
“Com as alterações promovidas pela Lei Complementar nº 219/2025, não há dúvida de que o prazo de inelegibilidade decorrente das condenações por improbidade administrativa relacionadas à Operação Caixa de Pandora já estará encerrado antes das eleições de 2026.
A nova redação do art. 1º, §4º-E, da LC nº 64/90 estabelece que, quando houver ações conexas, o prazo de inelegibilidade será de 8 anos a contar da primeira condenação proferida ou confirmada por órgão colegiado.
Em não se tratando de condenações em ações conexas, o §8º do mesmo dispositivo legal impõe um prazo limite de inelegibilidade de 12 anos.
No caso sob análise, o próprio Ministério Público reconheceu a conexão entre as ações, tanto que requereu a prevenção da 2ª Vara da Fazenda Pública para julgá-las. Sendo conexas, aplica-se a regra da contagem única do prazo.
Assim, considerando que a primeira decisão colegiada condenatória ocorreu em 9/7/2014, o prazo de 8 anos encerrou-se em 9/7/2022, afastando qualquer restrição à capacidade eleitoral passiva para o pleito de 2026.
Ainda que se adotasse interpretação mais restritiva, sem reconhecer a conexão, a LC nº 219/2025 também fixou limite máximo de 12 anos para a soma de inelegibilidades (§8º). Mesmo nesse cenário, o prazo se encerraria em 9/7/2026, antes das eleições de outubro de 2026.
Portanto, sob qualquer critério previsto na nova legislação, não subsiste impedimento à participação no pleito de 2026.”
No evento, Paulo Octávio cumprimentou os presentes e afirmou que, assim como jogadores de futebol sonham com mil gols, pretende chegar ao milésimo empreendimento imobiliário em Brasília: “Fazer 50 anos na construção civil é um desafio muito grande. Nós procuramos investir somente em Brasília. Fizemos 850 empreendimentos, empregamos mais de 50 mil trabalhadores”.
